Resenha do blog – Oscar edition: Argo

Em 1998 Ben Affleck ganhou um Oscar pelo roteiro de Gênio Indomável. Ao lado de seu amigo Matt Damon o jovem ator parecia promissor na carreira, tanto na frente quanto atrás das câmeras. Porém quis o destino que ao longo dos anos seguintes o pobre Affleck errasse feio em suas escolhas, colecionando Framboesas de Ouro (o prêmio dos piores do cinema) de pior ator por Contato de Risco (também indicado a pior filme da década de 2010), Demolidor, O Pagamento e outras indicações como de pior ator da década e mais uma enxurrada de péssimas escolhas que fizeram dele um alvo fácil de críticas da indústria cinematográfica. Sua atuação em Menina dos Olhos também lhe rendeu indicações ao Framboesa, mas ao lado de Liv Tyler e Jason Biggs não há muito o que se fazer, então não dá pra culpa-lo muito…
A luz no fim do túnel parecia ter se apagado para Affleck que depois de tanta crítica ganhava somente papéis coadjuvantes em bons filmes como A Grande Virada, Intrigas do Estado, A Última Cartada e Hollywoodland. Enquanto isso, longe dos holofotes tramava sua volta ao lado de trás das câmeras. Portanto foi com certa surpresa que o cinema mundial foi conquistado por Atração Perigosa em 2010. Sob sua direção o filme conquistou a crítica a ponto de render uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante para Jeremy Renner. O thriller policial (com uma pitada de romance) demonstrava que Affleck estava se saindo bem e o filme foi bem de bilheteria mundo afora.
Eis que este ano ele ataca novamente. Desta vez de forma mais agressiva. Demonstrando que sim, aprendeu muito bem o serviço, o agora diretor estabelecido Ben Affleck entrega Argo. Um filme espetacular, sem maneirismos ou manias de diretores conhecidos (cheguei a imaginar um final xororô à lá Spielberg ou James Cameron estragando o filme todo), temos um filme ágil, tenso, político, com toques de humor e de bastidores, Argo é sem dúvida nenhuma um dos melhores filmes do ano.
Se anos atrás Affleck chorava por ser considerado um dos piores, agora ele festeja suas oito indicações a prêmio de melhor diretor (já tendo ganho o Globo de Ouro na categoria) e um sem número de indicações a melhor filme de 2012 – incluindo o Oscar, com mais 6 indicações ao prêmio, e a vitória do Globo de Ouro na categoria melhor filme de drama.
Apesar do peso do roteiro, o filme em momento nenhum é chato ou político demais. Affleck interpreta um agente da CIA responsável por um plano maluco para resgatar seis americanos refugiados no Irã após uma rebelião. Seu plano é fazê-los passar por uma equipe de filmagem canadense e retirá-los do país sob o pretexto de que lá estavam para verificar as locações para uma ficção científica chamada Argo. Com participações espetaculares de John Goodman e Alan Arkin (novamente indicado ao Oscar de coadjuvante), a história vai crescendo em tensão e se tornando cada vez mais interessante a ponto de estarmos encolhidos na poltrona durante o nervoso desfecho. Tudo baseado em uma história real mantida em segredo pelos Estados Unidos até alguns anos atrás.
É muito provável que Argo leve para casa o Oscar de melhor filme do ano, além de alguns dos outros a que está indicado (roteiro adaptado, edição, trilha sonora, edição de som, mixagem de som e ator coadjuvante). É sim, um filme bom, redondinho, bem feito técnica e artisticamente. Mas não só por isso. Também pelo fato de que a Academia de Hollywood vem demonstrando especial interesse em filmes que falem sobre cinema. Ano passado os grandes favoritos e vencedores tinham esta temática (O Artista e A Invenção de Hugo Cabret). Assim como Argo eram ótimos filmes, mas carregavam esta característica na bagagem e isso talvez conte muitos pontos.

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