Marcelo Perdido lança álbum solo. Ouça ‘Lenhador’ e leia nossa entrevista exclusiva com o cantor

MarceloPerdido08---por-Leonardo-Mascaro

Ele se define como “um cachorro pequeno, solo mas não sozinho, cercado por cachorros maiores, mas latindo e tentando ser ouvido”. E é assim que ele se faz ouvir: latindo baixinho e fazendo companhia aos ouvidos.

Marcelo Perdido vem da banda Hidrocor e lança seu disco solo, Lenhador, com 12 canções singelas, simpáticas e, por que não, simples. Seus versos passeiam por amores, frustrações, desejos, dia a dia, sonhos. “(É um disco) Sobre coisas que caem em desuso, pessoas que caem em desuso, um mercado fonográfico que cai em desuso“. Para Marcelo, Lenhador representa um ciclo para construir seu próprio universo em letras que, essencialmente questionam ‘O que estamos fazendo com nossas vidas?’.

MarceloPerdido09---por-Leonardo-Mascaro

Mas não se engane. Ainda que bebendo na fonte de um Los Hermanos, suas canções não têm nada de pretensiosas. Se a ideia de questionar pode dar a impressão de músicas chatas e moralistas, numa primeira audição de Lenhador já é possível que o clima é outro. Como um disco que serve tanto pra uma reunião com amigos ou uma tarde a dois no sofá, seu lançamento nos leva por altos e baixos emocionais, mas nunca nos levando para o fundo do poço. As inspirações se tornam claras: do já citado Los Hermanos a nomes mais recentes da música brasileira jovem, como Marcelo Jeneci, Ludov ou Gram, e o som sai delicioso, ótimo de ouvir e de se ter como companhia. Um disco de relações pessoais retratadas com humor e romantismo, assim é Lenhador.

Marcelo enfatiza que não se trata de um disco de banda, mas de um álbum quase acústico, com apenas alguns músicos convidados quando necessário: “Aos pouco me senti seguro, acreditei nas canções. Tanto que pude me ver só como compositor e convidei uma das vozes mais encantadoras de nossa geração, Laura Lavieri, para interpretar a música “Sacolé”. Quando escrevi “Sacolé” já imaginei Laura cantando. Então respirei, encontrei coragem e a convidei. Participam ainda do disco Peter Mesquita no Baixo acústico de “Balela”, João Victor dos Santos (Bazar Pamplona) na guitarra de “Paquetá”, Marcelo Effori (Los Pirata, Agridoce) tocando percussão em “Pendura” e Paulo CH Rocha (Ludov, Seyxelles) e o americano Pete Curry se dividem na bateria de várias faixas“.

Extremamente simpático, o auto didata Marcelo deu uma entrevista exclusiva para o Pausa Dramática para contar mais sobre sua carreira, influências e o disco novo, olha só:

MarceloPerdido07---por-Leonardo-MascaroPausa Dramática: Em primeiro lugar, quem é Marcelo Perdido?

Marcelo Perdido: Sou eu. Um cara que cresceu ouvindo música e depois de mais velho resolveu fazer suas próprias. Não sei nem se tomei coragem, mas chegou uma hora que não pude mais evitar escrever e gravar essas canções.

De onde você é, tem formação em musica?

Sou do Rio de Janeiro, moro em São Paulo. Tenho vergonha de nunca ter estudado música, aprendi a tocar sozinho e hoje sofro por isso, faço acordes com posições erradas e isso atrapalha um pouco. Tento me aprimorar por respeito a quem tá ouvindo e as próprias músicas em si, mas sei que meu lance é com a letra, talvez no futuro onde eu não seja tão tímido para compor em parcerias, fique só com a parte de fazer letras

– Seu disco é “praticamente acústico” mas ao mesmo tempo mostra um cuidado grande. Como você trabalhou isso? Como adicionou outros elementos nessa ‘pureza’ do som?

Eu acho que sempre quis deixar as músicas frescas, no sentido de parecidas como quando as compus no violão. Os outros elementos vem do flerte com outros artistas, das coisas que gosto e que achei que somariam sem dividir. Digo que não é um disco de banda, pois não respeita o “esquema tático” “”guitarras, baixo, bateria. É mais fluído, é mais solto.

– Você se distanciou do som do Hidrocor. Isso foi uma opção ou mais uma vontade de mostrar sua cara?

A hidrocor se comunicava de outra forma, era mais uma coisa de celebração e como era a primeira vez que eu entrava em estúdio, não tive tanta noção do que eu estava fazendo, apenas nos divertimos. Agora quero assumir quase que totalmente a “culpa” de como as músicas soam, e na medida do possível, sem distancia-las tanto do momento da criação que é na voz e violão.

– Quem são os nomes na música brasileira atual que te influenciam hoje ou que você ouve?

Eu amadureci ouvindo bandas nacionais, foi muito importante: Los Hermanos, Gram, Polar, Ludov. Hoje tenho a alegria de conhecer o Chapolim, tocar com o Habacuque do Ludov, convidar o Manoel da Polar para tocar comigo no Rio, isso é lindo! Das bandas mais recentes… Eu gosto muito da Apanhador Só, Baleia, Tulipa, Phill Veras, Jeneci. Gostei muito do disco do Moreno Veloso e gosto muito da obra do pai dele!

– O disco está disponível para download gratuito no site e para audição no Deezer e Soundcloud. Como você vê o futuro do mercado fonográfico? Acha que a venda de CD está morta e acredita no mercado de música digital?

– Vejo no caso a caso, tudo na “era digital” vira caso a caso. Tem artista que ainda ganha dinheiro com a venda de discos/cds, eu mesmo mandei prensar as tais 1.000 cópias, tive um problema com a Pisces Records e até agora não vi recebi os discos, e no meu caso os discos são meus cartões de visitas para quem não estiver tão conectado a minha “rede”. Minha intenção ao fazer os discos físicos era que eles pudessem apresentar a música para mais gente, e também servir de recordação para quem gostou desse trabalho e quer ter algo físico, seja por colecionar CDs ou por ainda ouvir música nessa mídia. Sei que dinheiro não deve vir dos CDs no meu caso. Eu acredito que os artistas vão continuar descobrindo formas de fomentar seus trabalhos, não sei ainda como, pois não é minha realidade, ainda tenho de investir na minha carreira.

capa

Capa do disco Lenhador, com ilustração de Diego Sanches foto de Leonardo Mascaro: outono e loucura.

Ouça (e assista) Pendura, do disco Lenhador e acesse o site do artista para baixar o CD e sua página do facebook para saber mais.

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2 pensamentos sobre “Marcelo Perdido lança álbum solo. Ouça ‘Lenhador’ e leia nossa entrevista exclusiva com o cantor

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