Por que um programa ruim como ‘Queer Eye’ faz tanto sucesso?

Quando Queer Eye For the Straight Guy estreou em 2003 na cola do sucesso de Queer as Folk, tratava-se apenas de um desfile de gays estereotipados fazendo make-over em um hetero que “não sabia se vestir e se comportar”. E era muito ruim.

15 anos depois, por conta da crescente onda de falta de criatividade revival, remakes e sequências que tomou conta de Hollywood, e em razão de toda a representatividade da comunidade LGBTI no mundo (e de todos estarem descobrindo o rico mercado que ela inclui), ganhamos o remake, chamado agora apenas de Queer Eye.

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Os Fab 5 de 2003 e de 2018 (e sim, aquele no meio do grupo de 2003 é Carlson Kressley, hoje jurado do RuPaul’s Drag Race)

Anunciado como muito melhor que seu original, Queer Eye mostra… um desfile de gays estereotipados fazendo make-over em um hetero que “não sabe se vestir e se comportar”. E continua sendo muito ruim.

O programa, já renovado para a terceira temporada pela Netflix, tem um grande propósito afora a transformação realizada pelos “fab 5”: reforçar o estereótipo de que todo gay entende de moda, cabelo, design e vinhos.

Não que muitos não entendam, mas existem outros tantos que não entendem. É como nas novelas e filmes onde o gay serve apenas como alívio cômico, para mostrar trejeitos e dar gritinhos. Queer Eye é irritante, e Tan France e Jonathan Van Ness são os campeões neste quesito. Ambos parecem até mesmo forçados em seus trejeitos e expressões, como se exagerassem justamente para reafirmar o estereótipo esperado deles. O lado “humano” que o programa se propõe a ter se perde numa balbúrdia de cabelos esvoaçantes e bordões e onde os apresentadores são, claramente, mais importantes que o participante.

Um programa como Queer Eye serve, primordialmente, para heterossexuais insistirem na ideia do “gay de estimação”. Sabe aquela coisa do “Ah eu sempre quis ter um amigo gay pra me ensinar a me vestir”? Então, o programa tá aí pra mostrar que por mais que a comunidade gay brigue com este estereótipo, ele vai sendo reforçado cada vez mais.

 

2 comentários em “Por que um programa ruim como ‘Queer Eye’ faz tanto sucesso?

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  1. Não era um programa ruim, se compararmos com os BBBs parece excelente. Da mesma forma se a comparação for de shows de talentos, programas de auditórios e até de entrevistas que de tanto tentarem parecerem diferentes ficaram mais com cara de comedia. Pelo ao menos tinha uma visão positiva. As transformações das decorações das casas, as dicas de culinárias simples e mostrar que muitos não se encaixam porque por algum motivo não tiveram a chance de aprender tenho certeza que ajudou a muita gente. Mudei minha forma de vestir com as orientações deles e acharam que foi para melhor.

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