Se formos pedir fidelidade ao original, a nova Ariel não deveria ser negra. Deveria ser um homem.

Na semana passada a polêmica da escalação de uma atriz negra para viver Ariel na nova versão de A Pequena Sereia tomou conta da internet. Absurdo, mas real. Algumas pessoas reclamam que a personagem não pode ser interpretada por uma negra e muitas pessoas citaram o conto original dinamarquês como argumento. Ariel é europeia então deve ser branca, certo?

Claro que não! Defender esta lógica para um personagem fictício é obviamente absurdo, mas amigos… se for para ser fiel ao conto original que sejamos. Se quisermos mesmo ser fiéis à história, talvez Ariel deva ser na verdade Aaron. Ou Adonis… Ou Andre…

Sim amiguinhos. O conto original foi escrito pelo autor dinamarquês Hans Christian Anderson em 1837 como uma carta de amor para outro homem chamado Edvard Collin. Biógrafos afirmam que Anderson era bissexual.

“Eu anseio por você… meus sentimentos por você são os mesmos de uma mulher… A feminilidade de minha natureza e nossa amizade deve permanecer um mistério” escreveu Andersen em uma carta para Collin.

Collin não se sentia da mesma forma. Em seu livro de memórias ele escreveu “Eu me vi incapaz de retribuir este amor, e isso causou ao autor muito sofrimento.”

Quando, mais tarde, Collin se casou com uma mulher, Anderson escreveu A Pequena Sereia, que “o mostrava como um outsider sexual que perdeu seu príncipe para outra”, segundo o crítico literário Rictor Norton.

De acordo com o site LGBTQ Nation, na história original o príncipe se casa com outra mulher “deixando a sereia tão triste que ela se torna espuma do mar depois de tanto chorar de tristeza”. Anderson nunca mandou a história para Collin. Uma diferença e tanto para a animação da Disney né?

Se levarmos em conta a carta de amor de Anderson, a história de amor por trás dela e que “Part of Your World” foi escrita por um compositor gay (Howard Ashman, que faleceu em consequência da AIDS depois de terminar as composições de A Bela e a Fera – várias delas metáforas para o que estava vivendo), devemos então reclamar que a nova Ariel é uma mulher e não um homem.

E se formos falar de fidelidade ao original, devemos clamar também pelo final original, onde este homem-sereio vira espuma do mar de tanto chorar após seu príncipe casar-se com uma mulher.

Então, gente, menos.

Um comentário

  1. Sou extremamente a favor da representatividade negra. Amei sei leão ter intérpretes na grande maioria negros. A princesa e o sapo existir. E etc. Mas cara, claramente a personagem de que se trata é a personagem Ariel da Disney ! A Disney a fez branca e ruiva. Então se for ter uma live action da pequena seria Disney, a atriz precisa se parecer com essa específica personagem. Melhor criarem mais personagens negras do que fazer isso.

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