Por que ‘Contágio’ é um filme tão real sobre uma pandemia e se assemelha tanto com o coronavírus?

Uma década atrás, o roteirista Scott Z. Burns levou uma ideia até o diretor Steven Soderbergh para um filme-catástrofe sem monstros ou alienígenas. Ele se chamaria Contágio e envolveria uma pandemia global fatal e, ao invés de ter uma história cheia de furos, ele queria que o filme fosse baseado em algo muito mais aterrorizante: pesquisas científicas reais. Soderbergh imediatamente concordou em dirigir o filme.

Contágio trazia um elenco de estrelas, que incluíam Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet, Laurence Fishburne, Jude Law e Marion Cotillard e estreou em setembro de 2011 agradando público e crítica. Mas com a recente pandemia do coronavírus, o longa voltou às listas de mais assistidos e ao debate. Alcançou o topo da lista de aluguéis no iTunes e esta semana está em nono lugar, à frente de títulos como Frozen 2, Entre Facas e Segredos e Era Uma Vez em Hollywood. Embora outros títulos sobre o assunto, como Epidemia e 12 Macacos também tenham ressurgido, Contágio é o mais significativo.

O filme segue um grupo de personagens que precisam se virar enquanto um vírus mortal toma conta do mundo. Gwyneth Paltrow é a paciente zero, infectada após uma viagem à Hong Kong. Em frente a um quadro em um escritório do governo, uma investigadora do centro de controle de doenças americano (interpretada por Kate Winslet) revisa o básico: o vírus se espalha com a tosse e o espirro. As partículas também podem ficar em maçanetas e botões de elevador, que podem também transmitir o vírus para “qualquer pessoa que tenha mãos, boca ou nariz”.

Tão logo o coronavírus surgiu, o longa voltou a ser assunto.

Enquanto o número de pacientes já chegou a 130000 casos ao redor do mundo, o público se volta para o filme para informações e conforto (o vírus do filme tem um grau muito maior de mortalidade). Existem muitos paralelos para comparar. Em uma cena, o Dr. Sanjay Gupta, interpretando a si mesmo, aparece em um programa falando sobre medidas preventivas. Agora, 10 anos depois, ele está fazendo isso de verdade na CNN.

Tudo isso porque Burns se dedicou durante meses a pesquisas profundas sobre pandemias. Ele também recrutou diversos epidemiologistas renomados para desenvolver uma trama realista, editar o roteiro e treinar atores que interpretariam oficiais do governo, médicos e cientistas.

Quando eu comecei a conversar com especialistas, todos me disseram ‘Não é uma questão de SE teremos uma nova pandemia, é uma questão de QUANDO’.

Em vista da recente preocupação com o coronavírus, Contágio se tornou uma espécie de manual, por conta de sua precisão. E a preocupação só aumenta. Alguns fãs acreditam que, assim como no filme, o perigo é muito maior e que os governos podem estar escondendo informações do público. Claro que muita informação errada vem surgindo (assim como no filme).

Burns dizia que não queria fazer um filme convencional de desastre, então entrou em contato com o Dr Larry Brilliant, um epidemiologista que trabalhou na erradicação da varíola no mundo.

No filme, o vírus ficcional MEV-1 se origina em um morcego, passa para um porco e depois para uma pessoa. O que reflete o fato de que 75% das novas doenças vêm dos animais, como HIV, ebola, SARS e agora o coronavírus.

De acordo com o Dr. Ian Lipkin, que serviu de consultor para o filme, a ideia é que ele não fosse mero entretenimento, mas que também servisse como um aviso para que as pessoas ficassem alertas de que novas doenças continuariam surgindo e ressurgindo.

Mas talvez a maior mensagem de Contágio venha de sua tagline, impressa em letras vermelhas logo acima do título: “Nada se espalha como o medo”.

Assista ao trailer de Contágio abaixo:

Este texto foi traduzido de matérias da Variety e do LA Times

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