Vamos pra Hollywood? Não, pra Bollywood!

Sair do Brasil para trabalhar como atriz. Ir pra onde? EUA, Argentina, Mexico? Não. Índia.
Pois é, essa é a premissa inusitada do filme Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano. Numa parceria do Brasil com os EUA e Índia, o filme escrito e dirigido por Beatriz Seigner conta a história de três amigas que decidem partir do Brasil em busca de serem atrizes em Bollywood. Com uma indústria que produz mais de 500 filmes por ano, a Índia é o país que mais faz filmes no mundo. Natural então que as três amigas resolvam embarcar para tentar a vida como atriz por lá. Mesmo sem falar a língua do país ou sem saber dançar as coreografias de Bollywood.
O choque cultural não é tão explorado como se poderia imaginar e as três são bem adaptáveis ao ambiente diferente. Depois de uma confusão inicial com o hotel, acabam parando em um hotelzinho menor, onde fazem amizade com o dono, uma delas passa a tocar piano e cantar musica brasileira e adotam um menino local como professor de dança.
A bela e engraçada jornada das três em busca dos testes e de aprender a dançar e ao mesmo tempo descobrir a espiritualidade da Índia contrasta com a pobreza dos textos dos dilemas quando elas discutem entre si ou com pais e maridos pelo telefone. Chega a constranger a falta de sinceridade e de verdade em textos que parecem extraídos de aulas de teatro ou Malhação. Em certo momento uma das três grita pras outras duas “Vocês me dão ânsia, vocês são felizes demais!”. Quer texto mais constrangedor? Ah, e a melhor piada do filme está no trailer.
Se ignorarmos estas cenas, que felizmente são poucas, o filme é uma viagem alegre pela Índia, com um final no mínimo surpreendente. Mas as interpretações fracas e o texto ruim comprometem a leveza do restante do filme. É mais ou menos como fazer um filme no nordeste brasileiro: o diretor de fotografia não vai ter muito trabalho para captar belas imagens, mas elas não serão capazes de sustentar o filme.
Se comparado com a parte indiana de Comer Rezar Amar é mais sincero, mas menos glamuroso. Se comparado com Quem Quer Ser um Milionário é mais raso, mas mais fácil. Fica no meio termo. Nem uma obra prima nem uma porcaria completa. Divertido mas tolo. Interessante mas esquecível.
(devo confessar que passou pela minha cabeça fazer a mesma coisa que elas…)

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