Resenha do blog: A Vida Num Só Dia

Me sinto tão feliz quando vejo um filme inesperadamente bom. Fazia algum tempo que A Vida Num Só Dia (Miss Pettigrew Lives For a Day) estava parado aqui na minha fila e não me animava. Hoje resolvi ver. Que deliciosa surpresa!
Um daqueles filmes ingleses que mesmo tratando de temas não muito leves te deixam flutuando ao final. Texto inteligente, direção de arte primorosa e atores espetaculares.
Encabeçado por Frances McDormand (uma das melhores atrizes do cinema americano, vencedora do Oscar por Fargo e Terra Fria), a Miss Pettigrew do tiítulo original, o filme é um emaranhado de situações onde esta simpática senhora em busca de um emprego vai amarrando-as e consertando-as como se fosse um Iago do bem.
É incrível como tenho a sensação que Amy Adams tem o poder de iluminar a tela quando aparece. Ao seu primeiro olhar, seu primeiro sorriso, o filme deixa de ter o tom acinzentado do drama da coitada Miss Pettigrew e ganha contornos alegres e saltitantes diante de sua espevitada personagem. Foi assim em Julie & Julia, em Trabalho Sujo e até no tenso Dúvida. E parece que este brilho desta vez ganhou companhia. Lee Pace é um ator pouco conhecido. Estrelou o magnífico seriado Pushing Daisies e estará na versão cinematográfica de O Hobbit. Assim como Amy Adams, seu olhar ilumina a cena.
Amparado nesse senhor trio, o filme conta a história não da Srta Pettigrew, mas de Delysia Lafosse, uma bombshell que logo antes da Segunda Guerra Mundial se vê enrolada com três homens: um rico dono de cabaré onde ela canta (Mark Strong, de Sherlock Holmes), um jovem produtor teatral que poderá colocá-la como protagonista de sua peça (Tom Payne) se ela der os passos certos, e um pobre pianista que não perece oferecer-lhe mais do que seu amor (Lee Pace). E Miss Pettigrew aparece para tentar por ordem na bagunça e algum juízo na cabeça da moça. Com um texto praticamente shakespeariano de tão brilhante, a governanta vai aos poucos (e em um só dia) fazendo o que pode, até consertar sua própria vida.
Dirigido pelo indiano Bharat Nalluri (sem nada interessante antes disso no currículo), o filme é adaptação do livro de Winifred Watson, escrita por Simon Beaufoy, responsável pelos roteiros adaptados de, por exemplo, 127 Horas, Quem Quer Ser um Milionário? e Ou Tudo Ou Nada.

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