O filme da diretora Phyllida Lloyd (a mesma do delicioso Mamma Mia!, também com Meryl Streep) guarda diversas semelhanças com J.Edgar e, na mesma proporção, muitas diferenças.
Assim como o filme sobre o criador do FBI John Edgar Hoover, este é uma cinebiografia sobre uma figura importante para a história de um país: a filha de quitandeiro que por 11 anos foi primeira-ministra da Grã Bretanha, a primeira mulher a ocupar tal cargo. Também como em J.Edgar, aqui temos uma atriz espetacular sob uma pesada maquiagem interpretando maravilhosamente seu papel: Meryl Streep, como sempre indefectível, é a toda poderosa Margaret Tatcher, acompanhada por Jim Broadbent, também sempre ótimo, como seu marido.
Porém, ao contrário do filme americano, por mais perfeita que seja a atuação de Streep (e ela é), a personagem não possui carisma, não envolve, não emociona, não faz torcer e parece tão doce quanto Dilma Roussef. Talvez por não focar tanto no lado humano e mais no lado político da primeira-ministra, o filme torna-se político demais e para nós, brasileiros, trate de uma realidade muito distante. Sem falar que deixamos há muito de acreditar em políticos que batalham por ideais.
Também indo contra J.Edgar, Meryl Streep está indicada ao Oscar de melhor atriz, e é considerada favorita, já tendo vencido o Globo de Ouro. Esta é nada menos que sua décima sétima indicação. Ganhou somente duas vezes, por Kramer vs. Kramer e A Escolha de Sofia. Suas últimas indicações foram pelas interpretações soberbas nos ótimos Julie & Julia, Dúvida e O Diabo Veste Prada. Neste último aliás sua personagem arrogante e antipática provoca mais empatia com o público que em A Dama de Ferro. Lembrando que J.Edgar foi ignorado pela Academia e a interpretação sobre-humana de DiCaprio jogada às traças.
No fim das contas, o filme torna-se arrastado, cansativo. Consegue prender a atenção do espectador em raríssimos momentos, na maioria deles quando Tatcher ainda é Margaret Roberts, uma jovem cheia de ideias e ambições.
Resenha do blog: A Dama de Ferro

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