Há vários anos atrás, uns 15 provavelmente, lembro-me de ter lido uma reportagem na Revista Veja que me marcou. Já naquela época eu fazia algo que, mal sabia, seria minha profissão hoje: colecionava recortes de jornais e revistas sobre musica e cinema. Fazia clipagem, basicamente.
Ok, voltando. Não me lembro quem é que escrevia sobre cinema para a Veja naquela época, mas me lembro da reportagem. Em letras garrafais o título dizia que éramos, na visão de uma certa distribuidora de cinema (que não me lembro), um país de selvagens incapazes de apreciar Shakespeare na íntegra. Tudo porque Hamlet, de Kenneth Brannagh (espetacular, aliás) tinha estreado no país somente em cópias editadas para deixá-lo mais curto. Achei um absurdo, claro. Como fã de cinema, de Shakespeare e de Brannagh, mas vi o filme em casa, em dois VHSs, completo em toda sua perfeição.
Pois bem. Hoje, lá pelos seus 15 anos depois, leio a seguinte notícia no site da mesma revista:
Uma pequena nota numa das colunas do site fala do filme O Artista que, sendo exibido apenas em 47 salas no país, conseguiu a exígua marca de 34850 espectadores em seu primeiro final de semana. Não é de se espantar que já há (+-) 15 anos as distribuidoras soubessem que somos um país de aborígenes. Vamos ver quem está em primeiro lugar no box office do final de semana? Com 359865 espectadores, o estapafúrdio, estúpido, imbecil e acéfalo Cada um tem a gêmea que merece, conseguiu o topo da bilheteria.
Somos ou não somos um país de selvagens incapazes de apreciar Shakespeare na íntegra?

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