Resenha do blog: Poder sem Limites

Sair do cinema com um filme na cabeça nem sempre é uma coisa boa. Ficar pensando nele um tempão depois também não é sempre uma vantagem. Principalmente se o que você mais pensa é: foi bom ou ruim? E depois conclui: é, foi ruim.
Em 1999 um filme mudou a forma de se fazer suspense. Muito mais sugerindo que mostrando e trazendo uma técnica de filmagem nova que conquistou fãs e raiva de muita gente, A Bruxa de Blair foi um marco. A câmera na mão o filme todo era inovadora e acabou fazendo escola. Como tudo que causa um primeiro impacto positivo, foi utilizada à exaustão e hoje não é nada a mais que um detalhe. No caso de Poder sem Limites, o único detalhe bom.
O filme começa em clima de Malhação, de High School Musical, com aquela velha e batida história dos populares versus os que sofrem bulling no colégio. Já vimos isso muitas vezes e de formas bem melhores e mais inteligentes. Pois bem, Andrew (Dane DeHaan, de True Blood) é o garoto maltratado pelo pai bêbado, com mãe doente e que sofre abusos dos colegas na escola. Matt (Alex Russel) é seu primo, que lhe dá carona e é mais descolado, mas ainda assim inseguro como qualquer adolescente americano. E Steve (Michael B. Jordan) é o popular, candidato a cargos no colégio e que quer ser político quando ficar mais velho. Durante uma festa os três encontram um buraco com algo estranho que lhes proporcionará o poder da telecinésia. Ou seja, a capacidade de mover objetos com o poder da mente. Deste ponto de partida, o filme passa a mostrar o que três adolescentes farão com este dom recém adquirido. Atos fantásticos como mover as batatinhas da latinha direto para a boca, mover carros de lugar no estacionamento para confundir pessoas ou fazer com que garotas se assustem e ergam a saia.
Ok, sabemos que adolescentes são impetuosos e inconsequentes por natureza, mas quando a coisa fica séria e acidentalmente um deles quase mata uma pessoa, os poderes que vão aos poucos sendo aperfeiçoados (até o ponto em que eles possam voar) precisam ser controlados. E daí o filme deixa de ser Malhação para virar Os Mutantes. Sim a novela trash da Rede Record.
Sem um nome sequer experiente no elenco (quase todos vindos da TV, inclusive o diretor e roteirista Josh Trank), o filme acaba por terminar de maneira esdrúxula – ainda bem que a ideia sugerida de uma sequência morre junto com o final – e quase risível. Poderia ser um filme bacana, a ideia da câmera na mão é renovada. Afinal se eles podem mover coisas com o poder da mente… é com este poder que seguram a câmera os filmando o tempo todo. Mas se perde e acaba caindo na velha história da vingança adolescente. 

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