Uma boa aventura tem elementos chave que não podem faltar: perseguições, um herói incompreendido, uma princesa a ser resgatada, um cenário inóspito e hostil. Uma boa aventura de ficção científica outros tantos elementos: seres estranhos, paisagens distantes, máquinas diferentes. Pronto, descrevi John Carter – Entre Dois Mundos. Adicione a isso um roteiro inicialmente confuso e uma viagem interplanetária e você estará assistindo a mais nova aposta dos estúdios Disney em aventuras de matinê.
Personagem criado por Edgar Rice Burroughs (mesmo autor de Tarzan e que aliás é seu sobrinho no filme), John Carter é o protagonista de uma série de livros e histórias em quadrinhos iniciada em 1912 – ou seja, cem anos atrás. Um veterano da guerra civil que acidentalmente é transportado para Marte (lá chamado Barsoom), onde será obrigado a lutar para defender a si, a uma princesa e entrar numa guerra entre povos.
Como aventura o filme funciona perfeitamente, mesmo que peque um pouco pela falta de ritmo, ainda mais com tudo multiplicado na tela do IMAX (em Curitiba no Shopping Palladium) e em 3D. Por mais que sim, o 3D seja um pouco fraco, as imagens ainda assim impressionam. Lutas de macacos albinos gigantes, perseguições em naves movidas a luz, tudo isso enche os olhos e não é explorado demais.
Quando Carter cai em Marte (ou Barsoom) se depara com os Tharks. Liderados por Tars Tarkas (Willem Dafoe, de Homem Aranha e Anticristo, escondido sob uma maquiagem pesadíssima), os estranhos monstros verdes de 3 metros de altura, 4 braços e marfim, formam uma sociedade com suas próprias regras e é ali que o herói irá permanecer até que ele (e nós) entendamos um pouco mais do roteiro: um povo (Zodanga) deseja dominar o planeta Barsoom e para isso não se importará em dizimar os outros povos, incluindo os que vivem na cidade de Helium, onde habita a bela princesa Dejah Thoris (a inespressiva Lynn Collins, de X-Men Origens – Wolverine). Com seu olhar de sono e sua beleza descomunal a princesa acaba por conquistar o coração do inimigo e a paz somente será selada caso ela aceite casar-se com Sab Than (Dominic West, de Chicago e 300).
O herói é interpretado por Taylor Kitsch (que foi o Gambit em de X-Men Origens – Wolverine) sem muita emoção ou esforço. Outros nomes famosos no elenco são Mark Strong (que já havia sido o vilão no primeiro Sherlock Holmes de Guy Ritchie) e Samantha Morton (de Elisabeth A Era de Ouro e Minority Report). Tudo bem, sabemos que numa aventura como essa, qualidade interpretativa nem sempre é o mais importante, mas como John Carter se parece incrivelmente com Príncipe da Pérsia, é difícil não compará-los. E nesse ponto o segundo se sai bem melhor: Jake Gyllenhaal, Alfred Molina e Ben Kingsley se saem bem melhor em atuação e carisma. Mas mesmo assim John Carter vale o ingresso, é diversão garantida.

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