Resenha do blog: Medianeras

É praticamente impossível não se apaixonar por Medianeras. Se você, assim como eu, faz parte de uma geração que vive sozinha, em frente ao computador ou ouvindo musica 24h por dia enquanto anda numa cidade grande desenvolvendo os mais variados tipos de fobias em maior ou menor nível, com certeza vai se identificar com os personagens centrais deste filme.
Ignore o subtítulo brasileiro (Medianeras: Buenos Aires na era do amor virtual) e deixe-se envolver na história de Martin e Mariana. Ele (Javier Drolas), um webdesigner com síndrome do pânico e mais algumas outras, passa o dia em chats e vídeo games. Passeia com o cachorro da ex (que foi embora para os Estados Unidos), tem problemas de relacionamento e seu apartamento é cheio de referências pop, como Star Wars, O Estranho Mundo de Jack e Astroboy. Ela (Pilar López de Ayala, de Lope e do ótimo Baby Love), é uma arquiteta que só consegue empregos de montadora de vitrine. Mora num loft minúsculo que divide com manequins com quem conversa e para onde voltou depois de terminar um relacionamento de quatro anos. Claustrofóbica, não entra em elevadores e tem problemas de relacionamento (também) e é obcecada pelos livros de Onde Está o Wally?
Não é nada difícil nos acharmos nesses dois personagens que passam por desencontros entre si enquanto tentam se encontrar com ouras pessoas. Na verdade os dois moram a um prédio de distância, mas nunca se viram. Apesar de estarem de parede com parede, o que lhes impede de se verem são as tais medianeras: aquele lado do prédio sem janelas que, como diz o filme, não serve para nada a não ser para estampar uma publicidade ocasional. Claro que, invariavelmente, os dois irão se encontrar, e isso ocorre da forma mais encantadora possível!
Pontuado por pérolas no texto inteligentíssimo – coisas como: “Encontros marcados pela internet são como combos do McDonald’s: na foto tudo parece melhor, maior e mais apetitoso. Cada vez que vou a um desses encontros tenho a mesma decepção que tenho diante de um Big Mc.” ou “Num ato simples e irreversível me desprendo de 38,9Mb de história. Quem dera minha cabeça funcionasse bem como o Mac.” – um clipe final postado pelos personagens no youtube de gritar de tão bom e interpretações sobrenaturais, o filme encanta do começo ao fim, com seu ritmo diferente, sua história singela e seus personagens que carregam um pouquinho de nós dentro de si, seja nas manias, nas tentativas frustradas de relacionamento, na obsessão pelas referências pop ou nos campeonatos de vídeo game consigo mesmo.

O video final está com a incorporação desativada, mas vá no Youtube e digite Mariana y Martin. E se encante.
PS: além de tudo ganhei uma nova definição para o Sebastian: o elo perdido entre o gato e o bicho de pelúcia! hahahahaha

Deixe um comentário

Acima ↑