A trajetória de Xanadu já o transformou num clássico. Começou com o filme, um dos símbolos mais representativos da iconoclastia de excessos da década de 80. Recebido com expectativa e capitaneado por uma estrela à época, Olivia Newton-John, o longa eternizou canções que povoam o imaginário das pessoas até hoje. Alem disso, tornou-se cult com o passar do tempo e serviu como base para o musical homônimo que estrearia na Broadway em 2007. Com libreto de Douglas Carter e música de Jeff Lyne e John Farrar, esta encenação obteve um imenso sucesso, tendo sido indicada inclusive a quatro prêmios Tony e ganho o importante Drama Desk. Desta montagem vem a inspiração para a superprodução (em todos os sentidos) dirigida por Miguel Falabella, com versão de Artur Xexéo (em sua segunda incursão teatral).
Para isso, ela conta com a ajuda de Danny Mc Guire (Miguel Falabella, que também interpreta Zeus). Duas atrizes com trajetórias de respeito em musicais também encabeçam a escalação: Sabrina Korgut (Calíope/Afrodite) e Gottsha (Melpômene/Medusa). Completam o elenco Maurício Xavier, Brenda Nadler, Karin Hils, Fabrício Negri, Lucas Drummond, Giovanna Cursino, Carla Vazquez e Danilo Timm.
Enquanto a matriz americana usa e abusa da cafonice oitentista, a releitura brasileira também o faz, só que com ‘‘uma pimenta, um molho todo nosso”, segundo Falabella. “É um musical esquizofrênico. Esta miscelânea de Grécia Antiga com anos 80 não pode ser logicamente conceituada. “Xanadu” não se explica, não se teoriza sobre ele. Apenas se vive!”, define com bom humor.
“Esse musical é um besteirol, e o público brasileiro gosta do gênero. No original, Clio/Kira, feita pela Danielle, desce à Terra acreditando que está em Veneza. Na verdade, ela está em Venice Beach, na Califórnia. O texto já estava pronto, os ensaios já tinham começado, quando o Miguel teve a ideia de que Kira, acreditando que chegara a Paris, em 1880, na verdade estava na Praça Paris, no Rio de Janeiro, em 1980”, explica Xexéo, responsável pela transposição não só geográfica como idiomática.
“Xanadu” é kitsch, intencionalmente cafona, excessivo e confronta o dito bom gosto estabelecido com uma vasta gama de cores berrantes e ícones máximos do exagero dos anos 80.

Deixe um comentário