Às vezes eu fico imaginando as reuniões de hoje em dia em Hollywood antes de se produzir um filme de super herói. Acho que alguém deve chegar e dizer “Olha gente, é o seguinte: O Christopher Nolan mostrou que agora filme de herói tem que ter roteiro, alma. Tem que ter drama e um vilão plausível, não só um louco que quer dominar o mundo, ok?”, daí todos saem correndo atrás de bons atores, diretores, roteiristas, tecnologia e das HQs que possam servir de referência. Bom, na maioria dos casos imagino que isso deva acontecer.
Como em O Espetacular Homem Aranha. O filme do quase estreante diretor Marc Webb reinventa a história do aranha no cinema de forma orquestrada em cada detalhe. Com seu talento para lidar com temas adolescentes e pós-adolescentes já demonstrado no hipster(500) Dias Com Ela na manga, Webb se vale de dois ótimo atores para enterrar a trilogia anterior do aracnídeo de vez. Com Andrew Garfield – que vem se tornando o queridinho de Hollywood – e Emma Stone como o casal principal, o diretor entrega um filme que quase nem parece de super herói.
A história a gente meio que já conhece: Peter Parker (Garfield) é um adolescente frequentemente importunado pelos valentões da escola e apaixonado por Gwen Stacy (Stone, que carrega um sorriso sacana implantado naturalmente no rosto). Sopapo vai, passeio de skate vem e ele acaba mordido por uma aranha modificada geneticamente. Enquanto tenta descobrir o que aconteceu com seu pai, há anos dado como morto, Peter conversa com Dr. Connors (Rhys Ipans, que nem de longe lembra o abobalhado amigo de Hugh Grant que interpretou em Um Lugar Chamado Notting Hill), antigo companheiro de pesquisas do pai que, inconscientemente se tornará um vilão quase que involuntário.
Em nada e em momento nenhum o filme lembra a trilogia iniciada em 2002 pelo diretor Sam Raimi com Tobey Maguire no papel principal. Não fosse o fato de passarmos o filme todo esperando que alguém diga de ‘grandes poderes trazem grandes responsabilidades’, sequer nos lembraríamos de já termos visto o aranha no cinema. As cores saturadas e o tom absurdo das primeiras aventuras dão lugar a um visual mais realista e tramas mais palatáveis e menos descabidas. Claro que um bom diretor, com um frescor natural, e um casal de atores que transpira carisma e competência em cada take ajudam muito. E um texto que apesar de suas lições de moral de livro de auto ajuda, carrega emoção suficiente para tornar tudo bastante crível.
Como um adolescente que acaba de ganhar um vídeo game novo, Peter vai descobrindo seus poderes e brincando com cada um deles, experimentando, “voando”, andando pelos prédios e tentando ser um herói. Ainda com Sally Field e Martin Sheen no elenco, como os tios que criam Peter, a aventura de mais de duas horas corre fluida e fácil, como uma sessão de matinê das melhores. Não deixe de prestar atenção na cena da biblioteca, onde Stan Lee, o mestre da Marvel e criador do Homem Aranha faz sua participação especial. E não saia da sala antes do final dos créditos.

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