Vem do The New York Times um texto sobre a bizarrice das eleições brasileiras. Vergonha alheia: a gente vê por aqui. (tradução minha)
Batman está concorrendo para vereador na cidade brasileira de Uberlândia. Não um, mas dois James Bonds concorrem à cadeira de vereador , em Ponta Grossa e Birigui. Em outro lugar no Brasil, pessoas estão tendo que escolher entre candidatos com nomes como Daniel o Cuco ou Elvis Não Morreu.
Existe no Brasil uma das mais vibrantes democracias do mundo desde o fim da ditadura militar em 1985. Com a intensificação das campanhas eleitorais para as eleições em outubro, esta vitalidade se orna evidente nas cédulas que refletem a notável falta de restrições aos apelidos que os candidatos se impõem.
Os partidos estão repletos de nomes de super-heróis (cinco Batmans concorrem este ano), versões abrasileiradas de personagens da TV americana (como Macgaiver concorrendo no Espírito Santo) e uma infinidade de apelidos estranhos.
“É uma estratégia de marketing, um jogo político, porque se eu concorresse como Geraldo Custódio ninguém me reconheceria.”, diz o professor de auto escola que concorre a vereador em Piracicaba sob a alcunha de Geraldo Wolverine.
Geraldo adotou o visual e o apelido inspirado no personagem da Marvel e diz que após concorrer a uma vaga no Big Brother Brasil as costeletas e o visual ajudaram a manter o apelido. Agora ele faz campanha pelas ruas usando garras de metal. Um de seus panfletos diz “Vote em quem tem garra”.
Candidatos com nomes criativos podem franzir o cenho de pessoas em outros lugares, mas isso é o Brasil. um país orgulhosamente sossegado quando se trata dos nomes de seus candidatos políticos.
Consideremos a presidente Dilma Rousseff, quase universalmente reconhecida apenas por seu primeiro nome. Seu antecessor incorporou o apelido de infância (Lula) em seu nome completo. Chamá-lo de Sr. da Silva causaria polêmica. Fernando Henrique Cardoso, o presidente anterior, é comumente conhecido como Fernando Henrique somente, ou pelas suas iniciais: FHC, mas raramente pelo seu sobrenome.
Alguns candidatos aproveitam as vitórias anteriores. O que talvez explique o fato de tantos Luis ou Luiz incorporarem “Lula” aos seus nomes durante a campanha. Existem também personagens de outros países, como mostram os 16 Obamas que concorrem este ano. Cultura popular e religião também inspiram os candidatos: Ladi Gaga (sic) está concorrendo em Santo André no estado de São Paulo enquanto Jesus de Jerusalém perdeu uma eleição municipal em Porto Velho em 2008.
“Acredito que Barack Obama é mais que um político, ele é um ícone”, diz Gerson Januário de Almeida, 44 anos, um funcionário público que concorre a um cargo de vereador em Belo Horizonte sob o nome de Obama BH.
Mas existem limites limites para os nomes que os candidatos brasileiros podem escolher. A lei estipula que os nomes escolhidos devem ser os apelidos dos candidatos ou como eles são conhecidos comumente.
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“Não sei se aconselharia meus clientes a fazê-lo”, diz Justino Pereira, um consultor político de São Paulo que já trabalhou com inúmeros candidatos nas eleições municipais, incluindo um chamado Palhaço Zig Zag.
Pereira diz que os candidatos se inspiraram depois de um palhaço popular da TV chamado Tiririca ganhou para deputado. Quase ninguém sabe seu nome real: Francisco Everardo Oliveira Silva. “Usar apelido é uma maneira fácil de atrair a atenção”, diz o consultor, “mas não causa necessariamente um efeito real”.
Claro que em um país com tanta criatividade em seus nomes próprios, alguns candidatos não precisam recorrer a apelidos: Jimmi Carter Santarém Barroso concorre no Amazonas; John Kennedy Abreu Sousa no Maranhão; e Chiang Kai Xeque Braga Barroso (cujo primeiro nome faz referência a Chiang Kai-shek, o rival chinês de Mao Zedong no século XX) concorre no Tocantins.
É… como já disse um dia o presidente francês Charles de Gaulle: O Brasil não é um país sério…

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