O brasileiro mais popular no Instagram

No ano passado, o goiano Wellington Campos (seu Instagram AQUI), de 35 anos, fazia uma foto para seu perfil na rede social Instagram num templo hindu de Chicago, nos Estados Unidos, quando chamou a atenção de outro turista. Um japonês se aproximou apontando para o smart­phone. Queria uma foto com Campos, porque era seu fã no Instagram. “Sempre aparece alguém que me conhece”, diz Campos. “Em Nova York me pediram autógrafo.” Campos é uma celebridade no Instagram, a rede social onde 2,3 milhões de pessoas acompanham suas fotos de bonecos de desenhos animados em cenas inusitadas. Numa delas, o caubói Woody, de Toy Story, é refém de um smurf. Noutra, Sculley, de Monstros S.A., mergulha o amigo Wazowski em um pote de creme de avelã. Campos é o brasileiro mais popular da rede social e o 18o entre os 90 milhões de membros, à frente de celebridades como a apresentadora Oprah Winfrey, o rapper Snoop Dog e a cantora Alicia Keys.
Wellington Campos com seu “modelo” favorito, o boneco Woody, da série Toy Story. Suas fotos de personagens de desenho animado fazem sucesso em vários países na rede social Instagram 
(Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
No Instagram, quando alguém gosta de uma foto, aperta um botão para mostrar isso. Esse ato é chamado de “curtir”. Um usuário comum dificilmente consegue mais de duas dezenas de “curtir”. As fotos de Campos têm no mínimo 40 mil e podem ultrapassar 80 mil. Cada imagem é acompanhada por centenas de comentários em japonês, sueco, malaio, tailandês, inglês, espanhol, chinês, italiano, norueguês, indonésio, holandês, russo, árabe. “Alguns dizem que me amam”, diz Campos. “Ainda não caiu a ficha desse sucesso. Só faço as fotos. As estrelas são os personagens.” O boneco Woody é o principal deles. Virou seu preferido porque é articulado e pode se adaptar melhor a várias opções de cena. Campos tem 15 Woodys para o caso de algum quebrar. “Levo ele aonde vou”, diz. O sucesso de Campos já atrai imitadores. “Tem um que copia meu estilo, mas sem sucesso”, afirma. “Essa área já é minha.”

Campos começou a fotografar bonecos no fim de 2011. Ele registrava seu cotidiano no Instagram, como a maioria das pessoas, até clicar um boneco de smurf. “Muito mais gente curtiu. Decidi investir”, diz. Ele construiu um miniestúdio e passou a garimpar bonecos na internet. “Gastei mais de R$ 15 mil”, afirma. O hobby mudou a rotina da casa de sua mãe, com quem mora em Valinhos, no interior de São Paulo. É normal encontrar Campos fotografando de madrugada. “O Wellington é muito ciumento com a coleção dele”, diz a mãe, Salete. Sua mulher, Flávia, fica de olho na fatura do cartão de crédito, para Campos não extrapolar.
Usar produtos em cenas com os bonecos (um recurso que gera mais “curtir”, segundo Campos) chegou a render dinheiro. Algumas empresas pagaram para incluir seus produtos nas fotos. “Não faço mais. Não quero perder credibilidade”, diz. Será que Campos deveria pagar às empresas donas dos personagens? Para Cláudio José Pereira, professor de Direito da PUC-SP, isso só é necessário se ele explorar comercialmente as fotos. “Senão, pode fazer o que quiser. Vivemos numa sociedade onde a informação circula livremente”, diz.


Campos ganha dinheiro mesmo como consultor de mídia digital de duas produtoras. Formado em Direito, começou a trabalhar com internet quando virou gerente de marketing de uma empresa. Também orienta artistas, como a dupla sertaneja João Bosco e Vinícius e o cantor Leonardo, sobre como usar o Instagram. Foi Campos quem apresentou a rede social ao comediante Marco Luque, do programa de TV CQC. “Pouca gente conhecia o Instagram, mas ele disse que iria bombar”, diz Luque. “Foi visionário.”

Campos virou uma espécie de especialista em ganhar “curtir”. Prefere publicar fotos à 1 hora da manhã, quando mais gente está conectada, porque é noite nos Estados Unidos, início da madrugada no Brasil e começo da tarde no Japão. Também espera um intervalo de quatro horas entre uma postagem e outra, “senão ninguém presta atenção na primeira foto.” O que não aconselha? “Foto de comida. Você pode achar uma delícia, mas alguém pode ter nojo e deixar de te seguir.” As regras têm funcionado para ele. Há duas semanas, Campos se tornou mais popular que o presidente americano Barack Obama. Yes, he can. 
Do site da Revista Época

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