Guilherme Arantes – a bola da vez

É, parece que Guilherme Arantes está mesmo disposto a voltar à cena musical tão tristemente empobrecida do pop brasileiro atual.

Com careira iniciada no final da década de 70, o cantor e compositor é daqueles que todo mundo conhece uma musica, que já tocou em novela, rádio, estourou e que, invariavelmente, estava vivendo de recauchutar velhos sucessos. Discos de ‘releituras’ de antigos sucessos não são nenhuma novidade, a maioria dos grupos e cantores há muito tempo na estrada fazem isso (que o diga o Roupa Nova que, por mais que lance CD novo volta e meia só sobrevive de shows acústicos e versões ao vivo e com convidados de sucessos das antigas).

Depois de ter musicas suas regravadas por grandes nomes da MPB e pop atual, como Vanessa da Mata que regravou Um Dia Um Adeus, e de ter sua obra homenageada em um disco (A Voz da Mulher na Obra de Guilherme Arantes, de 2012, com regravações de suas musicas por vozes como Tiê, Fafá de Belém e Zizi Possi), Guilherme considera-se ídolo da nova MPB. E parece que é mesmo.

Para o disco novo, convidou Mariana Aydar, Adriano Cintra, Kassim, Curumin, Bruna Caram, Thiago Petit, Tiê, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci para engrossarem um coro em duas das musicas. Este último fazendo parceria nos vocais e tocando acordeom na última faixa (e talvez uma das melhores musicas de 2013), O Que se Leva, de longe a melhor do disco. Segundo Guilherme, ele e Jeneci têm “uma ligação que é algo mais”, uma conexão mais forte, como se o compositor de longa data visse no novo nome uma espécie de substituto seu.
Pena que no meio de faixas ‘politizadas’ (com forte tom panfletário) e baladas bacaninhas, o CD não vá muito longe. Como disse Bruno Cavalcanti do blog Musicália, se lançado em outros tempos, o álbum facilmente estouraria com várias faixas nas rádios. Hoje, parece um pouco ‘bom demais’ para o gosto tão deglutido do brasileiro. Aliás, crítica que o compositor faz em suas entrevistas, dizendo que o Brasil “emburreceu devido à monocultura. É só sertanejo e pagode.”. Com forte levada em sua sonoridade característica, as musicas do novo CD têm um gosto de novidade que a gente já conhece. Parece que já conhecíamos a musica, mas desconhecemos as letras. O novo e o velho misturado, abraçando características mais modernas, com influências do piano de Keane, Coldplay e Adele (como Guilherme mesmo já citou), instrumento presente em suas canções desde sempre.

Além desse revival do próprio cantor e compositor, na última segunda feira (29) outro grande nome da nova musica brasileira resolveu dar sua força. O também cantor e compositor Jay Vaquer anunciou o que será seu primeiro disco só de regravações e também o primeiro disco de um projeto onde lançará CDs com composições de um único artista em versões que carreguem características suas, sempre bem fortes. E quem foi o primeiro compositor escolhido? Sim, Guilherme Arantes. Certeza que musicas como Um Dia Um Adeus, Meu Mundo e Nada Mais, Deixa Chover, Lindo Balão Azul, Cheia de Charme, Êxtase, Pedacinhos e tantas outras estarão no disco, que será vendido inicialmente só pelo site do cantor, com previsão de lançamento até julho de 2013. Lá, os interessados fazem um pré-cadastro para receber o CD em casa no lançamento. Também podem se cadastrar para receber o novo CD autoral de Jay Vaquer, este com data prevista para setembro de 2013. Os preços e os formulários para se cadastrar já estão lá: http://jayvaquer.com.br/ e os compradores ainda concorrem a ingressos pra shows, premiére, sessões em estúdio e versões do disco autoral em vinil.

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