Estamos praticamente sem um veículo especifico e cinema no país. A única revista específica de cinema e home vídeo, Preview, é fina, com poucas reportagens (a maioria vendidas) e poucas resenhas (a maioria de textos rasos). Sem dizer que a distribuição é precária e não se encontra em qualquer lugar. E o site é pobrezinho de tudo, coitado. Saudades da finada SET.
Os jornalistas mais conhecidos e competentes, acabaram ficando só na internet. Ana Maria Bahiana e Rubens Ewald Filho agora escrevem somente em seus blogs (clique nos nomes para acessar). Levar uma resenha de Isabela Boscov (da Veja) a sério, só em último caso mesmo.
Pode-se pensar que as revistas de cinema acabaram porque migraram para a internet. Não é bem o caso. O único site de cinema decente, Omelete (que também é o responsável pelo bacana guia de cinema lançado alguns anos atrás), dificilmente escreve uma resenha respeitável. O Adoro Cinema também é um dos sites grandes, mas confuso e perdido, acaba sendo suprimido no meio de sua bagunça. E o bacaninha Filmow está mais pra rede social que pra site de cinema. O famoso Blog do Bonequinho do jornal O Globo quase não publica mais resenhas, se atendo a comentários sobre festivais e bastidores.
Ok, sem resenhas decentes sobre as estreias, como escolher o que ver? Daí caímos em um problema ainda maior: o incrível aumento das seções dubladas nos cinemas. Não vou julgar aqui se é por preguiça, ignorância ou o que quer que seja que faz com que as pessoas optem pela versão mutilada e dublada de um filme, mas basta chegar a um cinema qualquer para perceber que as seções dubladas estão em número maior que as no idioma original.
Escolhido o filme e peneirada uma seção legendada, ainda tem-se um outro problema: a qualidade das salas. Não é raro salas sujas, com som defeituoso, com ar condicionado desligado ou poltronas danificadas. Sem falar em um público que nem sempre sabe se portar de forma educada e nos preços de pipoca e refrigerante, por vezes mais caros que uma refeição decente.
Está complicado. Se ponderarmos que: alguns meses após a estreia temos o filme em blu ray (em 3D se for o caso), já com diversas resenhas publicadas em jornais e sites para assistirmos no conforto de nossa casa, sem fila, com o som e imagem a nosso gosto, sem ninguém chutando a poltrona de trás, com pipoca e refrigerante MUITO mais baratos, sem correr o risco de ser assaltado na rua ou precisar pagar estacionamento em shopping…. parece que chegamos a uma conclusão simples. Mas a paixão por cinema ainda é maior…


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