Comédias românticas sempre foram considerados um gênero menor do cinema. Filmes geralmente tolos, com final previsível e personagens femininas bobinhas ou rasas. Com o tempo isso foi mudando. Um Lugar Chamado Notting Hill inverteu estes papéis e colocou um personagem masculino bundão; (500) Dias Com Ela virou ícone e fugiu da previsibilidade; O Casamento do Meu Melhor Amigo subverteu o papel da mocinha transformando-a em quase vilã; A Verdade Nua e Crua colocou até brinquedos sexuais no meio da história. Mas ainda assim roteiros continuaram simplórios e personagens geralmente rasos. Sempre estarão lá uma cena de casamento, um invariável numero musical, um desentendimento, algumas piadas mais picantes e um personagem mais engraçadinho.
O Casamento do Ano (The Big Wedding, estreia prevista para 30 de agosto no Brasil) não foge muito à regra, é verdade, mas de certa forma é um alívio. O filme é bem menos inocente que a média e o fato de os verdadeiros protagonistas serem os pais do noivo é um diferencial. Seu grande trunfo está no elenco: Robert de Niro, Diane Keaton e Susan Sarandon formam o (não exatamente) triângulo amoroso: de Niro e Sarandon são marido e mulher e Keaton é a primeira esposa. Quando a mãe de um dos filhos adotivos vem da Colômbia para o casamento deste último, a bomba estoura: dona Madonna (Patricia Rae, de Maria Cheia de Graça) é extremamente católica e não aceita o divórcio. A solução? Mentir para a mãe biológica e tirar a madrasta da jogada. Claro que daí pra frente os desentendimentos e piadas têm pretextos pra acontecer o tempo todo.
O que mais torna o filme inovador é a naturalidade e a maturidade das relações. Como pessoas já bem vividas, primeira e segunda esposas são amigas e superaram a traição que acabou em divórcio e novo casamento. Como pessoas normais, e não estereótipos de cinema. Infelizmente o estereótipo está lá, na forma da pobre mãe colombiana e nas piadas com relação a raça, sexualidade e idioma (aparentemente tudo é muito livre no terceiro mundo). Estereótipo ou preconceito, vai saber. O restante do elenco, por mais que muito bem, não demonstra a naturalidade do trio de veteranos. Mas ainda assim não compromete: Katherine Heigl (que quase foi a nova rainha das comédias românticas em filmes como Juntos Pelo Acaso ou Par Perfeito) é a filha mais velha com problemas com o marido; Topher Grace (de Homem Aranha 3 e do seriado That 70’s Show) é o filho do meio que quer se guardar virgem até conhecer a mulher certa; e Ben Barnes (de As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada e Bons Costumes) é Alejandro, o filho mais novo, o colombiano adotivo que apresentará a mãe biológica e a irmã Nuria (Ana Ayora, de Marley & Eu) para o casamento com Missy (Amanda Seyfried, de Mamma Mia e Os Miseráveis). Para celebrar tal casamento ninguém menos que um padre com passagens pelo AAA interpretado pelo irrequieto Robin Williams.
Dirigido e roteirizado por Justin Zackham (também roteirista de Antes de Partir) e adaptado do filme francês Mon Frère de Marie, O Casamento do Ano pode não ser muito relevante ou diferente. Mas ao focar mais na relação dos ‘coadjuvantes’ que na relação dos noivos, que geralmente são os grandes protagonistas desse gênero de filme, acaba se mostrando um filme mais adulto que a média. Nada que se compare a Corações Apaixonados, por exemplo — um filme com texto rápido e inteligente que consegue focar ao mesmo tempo em todos os membros da família e diferentes relações com um elenco igualmente eficiente –, mas ainda assim um filme divertido, leve e maduro (por que não). Daqueles que podem não nos causar nenhuma surpresa, mas nos deixam com uma agradável sensação de conforto quando toca a musica final.
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