Dois agentes (um mais simpático e engraçadão, outro mais velho e carrancudo) num departamento especial terão que salvar o mundo de seres estranhos com armas mirabolantes. Pois é, parece resumo de Homens de Preto né. Então…
Ryan Reynolds (de Enterrado Vivo e A Proposta) e Jeff Bridges (vencedor do Oscar por Coração Louco e indicado outras 5 vezes) são a dupla de agentes encarregados de livrar a Terra dos mortos-vivos que fugiram do purgatório. Após morrer eles ficam presos em uma espécie de agência secreta celestial e, com novos corpos para não serem reconhecidos, serão incumbidos de voltar à Terra para capturar almas ruins disfarçadas de seres humanos e mandá-las para o inferno. Como é de se concluir, Reynolds é o jovem simpaticão e novato que chegará para ser o parceiro-contra-a-vontade de Bridges, que como um cowboy do século passado, fala o tempo todo como se tivesse uma batata na boca. Qualquer semelhança com os personagens de Will Smith e Tommy Lee Jones na trilogia Homens de Preto não parece ser mera coincidência.
Baseado numa história em quadrinhos publicada em 2003 e escrita por Peter Lenkov (que aqui assina na produção executiva), R.I.P.D. caminha pelos mesmos passos de Homens de Preto e as semelhanças (muitas vezes até nítidas) estão durante todo o filme. Cenários, personagens, armas… Mas existem algumas diferenças fundamentais que podem falar mais alto e tornar este filme tão divertido quanto foi o primeiro da série de ETs e não apenas uma imitação.
A personagem de Mary-Louise Parker (da Série Weed e de RED – Aposentados e Perigosos) como a supervisora da tal agência celestial faz toda a diferença em várias cenas. Sua cara maliciosa e suas piadas fazem com que a gente fique querendo mais dela o tempo todo. O desenrolar da história também é bem diferente de Homens de Preto e o clímax é bem mais emocionante. Na questão visual, não sei se propositalmente ou não, R.I.P.D. se parece em muito com um video game. Ângulos, estripulias de câmera, até mesmo os tais não-mortos por vezes parecem de borracha ou personagens de um jogo de computador. Pode ser proposital, já que segundo a história eles são praticamente de borracha. Se você entrar no clima do filme isso não chega a incomodar. E embora o ritmo deste seja bem mais rápido, seu personagem carrancudo tenha mais humor e o desenvolvimento da história seja diferente, as comparações com Homens de Preto são e serão inevitáveis.
No geral, o trio principal parece se divertir bastante durante todo o filme e o diretor Robert Schwentke parece saber dosar bem humor e ação, como já provou em RED – Aposentados e Perigosos e pode, quem sabe, ter criado um filme que daqui alguns anos será considerado cult e consumido no mercado de home video por mais pessoas, já que até agora tem sido um retumbante fracasso de público nos Estados Unidos (custou 130 milhões e não rendeu ainda nem 40). Kevin Bacon (de Footlose e Sobre Meninos e Lobos) completa o elenco como o grande vilão da história no piloto automático como sempre faz.
Em tempo: R.I.P.D. significa Rest In Peace Department, ou em bom português, Departamento Descanse em paz. Mas também pode ser um trocadilho com RIP conjugado como se fosse um verbo no passado (que seria RIPED), ou Descansado em Paz.
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