Nunca fui muito fã ou acreditei nesses argumentos de que “um filme pode mudar nossa maneira de ver o mundo”. Sempre achei de uma presunção enorme e, por mais que seja apaixonados por vários filmes, nunca cheguei a repensar nenhuma das minhas ações por causa de algum deles. Até agora.
Um diretor estreante. Atores pouco conhecidos de seriados. Três histórias com um ponto em comum: a vida online.
Ninna Dunhnan (Andea Riseborough, de Oblivion e WE) é uma repórter de um pequeno canal de TV local. Ao entrar em um site de chat com garotos de programa e conhecer o jovem Kyle (Max Thieriot, de Bates Motel) ela vê uma oportunidade de contar uma história e quem sabe ganhar algum reconhecimento profissional, envolvendo o garoto e o agenciador de menores para o tal site (interpretado pelo estilista Tom Ford);
Cindy e Derk Hull (respectivamente Paula Patton, de Preciosa e Espelhos do Medo e Alexander Skarsgard, de True Blood) são um casal que se entende pouco após a morte do filho pequeno. Ele costuma apostar em sites de poker e ela conversa com um estranho via chat em um site de grupo de apoio, até que descobrem que sofreram uma fraude online e estão absolutamente sem dinheiro.
Ben Boyd (Jonah bobo, de Amor A Toda Prova e Zathura) é um garoto tímido que irá iniciar uma conversa com a menina Jessica via Facebook e mensagens de celular. O que ele não sabe é que Jessica não existe e é na verdade uma armação de Frye (Aviad Bersnstein, de Ray Donovan) e Jason (Colin Ford, de Under the Dome) para ridicularizá-lo perante a escola.
Como uma dinamite em que vamos acompanhando o pavio queimar aos poucos, vamos vendo estas três histórias irem para um caminho nada agradável, que explodirá de maneira aterradora à nossa frente. Henry Alex Rubin (o diretor) e Andrew Stern (o roteirista) nos conduzem lentamente para o derradeiro fim destas histórias, mas com alguma redenção.
O mais impressionante, e o que fica depois do filme, é o questionamento que fazemos a nós mesmos: estamos seguros ou estamos nos expondo demais na internet?
É pena que este filme tenha sido tão despercebido. Deveria ser obrigatório em escolas, pelo menos, para que jovens possam ter uma mínima noção das terríveis consequências de um bullying. Sem exacerbar na violência e sem uma gota de sangue sequer, ele nos dá um belíssimo murro na cara e nos acorda pra o que andamos fazendo nos sites por aí. Altamente recomendável, mas saiba que você não vai encarar a internet da mesma forma depois dele.
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