
Todas as noites, há dez anos, a aposentada Benita Barbosa Calzavara, 60 anos, divide os seus travesseiros e lençóis com seus quatro gatos, Lara, Sofia, Helga e Thomas. A mesma rotina se repete na casa de Jociane Notto, 43 anos, dona de casa. Só que ao invés dos felinos, é Tobias, um labrador de quase cinco anos, que tem lugar cativo na cama.
Para quem não está acostumado, o hábito de Benita e Jociane pode parecer estranho. Mas esse comportamento é mais comum do que se imagina. Uma pesquisa realizada em 2013 pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), a Radar Pet, em 17 cidades brasileiras – incluindo Curitiba –, revelou que 16% dos cães e 24% dos gatos dormem no quarto dos seus donos.
Apesar disso, muitos especialistas afirmam que não é recomendado que os animais de estimação dividam a mesma cama com os humanos. O veterinário Mário Henrique Côrrea explica que essa medida serve para evitar que os pets sofram alterações comportamentais.
Território

Deixar o animal de estimação dormir na cama faz com que ele tenha problemas de hierarquização, ou seja, ele pensa que aquele é o seu território. E, como dono, não permite um maior contato da pessoa, o animal pode ser agressivo ao defender o seu espaço. Há ainda a possibilidade de os pets e os seus donos ficarem doentes.
Nossa veterinária de plantão, Dra Luiza Fischer Abramides, afirma categórica: contanto que o pet esteja com vacinas, vermífugo e check-up em ordem, feito por um médico veterinário, não vejo problemas de donos que dividem suas camas com seus bichos. Existem alguns problema de saúde que afetam os animais e podem ser transmitidos aos humanos (zoonoses), como algumas verminoses e problemas de pele (dermatofitose, sarna sarcóptica) por isso o animal deve ser levado com frequência ao veterinário para consulta de rotina e realização de exames, quando requisitado. Em casos de animais diagnosticados atópicos, deve-se ter cuidado redobrado pois eles podem apresentar crises alérgicas por vários contactantes (pó, produtos de limpeza, cosméticos, ácaro, cobertas…) presentes, também, na cama do proprietário.
Todas essas recomendações são seguidas à risca por Benita. Segundo ela, os seus felinos vão sempre ao veterinário. “Eles têm acompanhamento profissional. A saúde deles é muito importante para mim, e quando percebo qualquer alteração, seja um espirro ou alguma falha no pelo, os levo imediatamente ao médico”.
Jociane, por sua vez, revela que os cuidados vão além das visitas ao especialista. “Sempre que voltamos de um passeio com o Tobias, fazemos a higienização das suas patas com um pano úmido. Assim a sujeira da rua não entra em casa, e podemos dormir tranquilamente com ele”.
Com informações e fotos da Gazeta do Povo
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