Bang bang no Velho Oeste, viagens espaciais, perseguição entre polícia e ladrão. Tudo isso poderia ser os atrativos de um novo jogo para Playstation 4 ou XBOX One, mas são cenários criados por um velho conhecido da garotada: o Playmobil. O famoso boneco de 7,5 centímetros completa 40 anos em 2014 e mostra que ainda atrai a atenção de crianças e adultos.

Criado na Alemanha em 1974, o brinquedo é bastante simples: tem movimentos bem limitados e um desenho nada refinado, só olhos e um sorriso no rosto. Mas, mesmo com tamanha simplicidade, o boneco tem uma verdadeira legião de fãs — e muitos deles já nem tem mais idade para brincar.
Boa parte dos apaixonados por Playmobil são adultos que brincavam com o bonequinho na infância. É o caso de Carlos Alberto Guimarães, de 42 anos, que há 37 anos é um fã declarado do brinquedo. “Tenho até hoje o meu primeiro Playmobil, era um xerife com uma estrela prateada”, lembra o jornalista, que é um dos principais colecionadores do país.
Ele e outros apaixonados pelo brinquedo se reúnem no fórum PlayBrasilmobil, que há cinco anos é o ponto de encontro virtual dos colecionadores do boneco. “O meu trabalho é que as pessoas assumam essa paixão pelo Playmobil. Eu brinco dizendo que tiro as pessoas do armário”, conta César Ojeda, 48, fundador do site e que tem mais de 400 produtos da marca.
O fórum criado pelo carioca já conta com mais de 800 outros colecionadores do boneco, que usam o espaço para discutir e conversar sobre sua paixão. “O fórum não é só um espaço para as pessoas falarem sobre o Playmobil, mas é um lugar para as pessoas se conhecerem. Muitas relações interpessoais foram geradas ali”, conta o empresário, que esteve em São Paulo nesse domingo (16) para um encontro entre os membros do site.
O mundo mágico de Playmobil
Mas o que faz alguém se apaixonar tanto pelo Playmobil? “O que mais fascina no Playmobil é a capacidade de construir universos, criar novas brincadeiras. Não é uma história pronta como no videogame”, explica Carlos Alberto. César concorda. “A brincadeira exercita a capacidade lúdica da criança, não é como um jogo em que o desafio é driblar um sistema pré-programado”, acredita o fundador do fórum.
Depois de algum tempo longe do Brasil, o boneco voltou a ser importado ao país em 2008, pela Sunny Brinquedos. Desde então, a empresa vem trabalhando em um processo de apresentação do Playmobil às crianças da era digital. “A criança quer brincar, quer imaginar, e o brinquedo tem muito espaço no vida da criança”, diz Ricky Candi, 32, diretor de produtos da marca.
O crescimento do brinquedo no mercado nacional pode ser comprovado por números. Em 2013, as vendas cresceram 30%, e a expectativa é que subam mais 20% neste ano — e o público alvo é o infantil.
Tanto é que o Forte Velho Oeste do Playmobil foi indicado em uma lista dos melhores brinquedos de 2013, elaborada pela revista Crescer a partir das escolhas das próprias crianças. “As crianças se encantam pelo boneco. O principal desafio é que elas o conhecem, saibam que ele existe. Se eles conhecerem, vão brincar”, acredita Carlos Alberto.
Para César, falta também um empurrãozinho dos pais. “Quando eu era criança, meus pais diziam para eu desligar a TV e ir jogar bola na rua. Os pais de hoje têm que fazer isso, falar para os filhos desligarem o videogame, saírem da internet, e irem brincar com brinquedos ou mesmo na rua”, diz o empresário.
A brincadeira pode inclusive unir pais e filhos — mas cada um no seu quadrado. “Conheço pais colecionadores que compram linhas para os filhos, mas não deixam as crianças chegarem perto da coleção deles”, conta Carlos Alberto.
Brincadeira cara
A fascinação pelo Playmobil vai muito além da paixão e acaba se tornando um estilo de vida, que de vez em quando exige algumas loucuras. Carlos Alberto já chegou a gastar R$ 1000 em uma linha completa dos bonecos. Já César foi mais longe — literalmente. “Lembro que estava em Nova York e fui fazer minhas compras de Playmobil. Comprei uma caixa enorme e quando saí da loja, começou uma chuva muito forte. Nenhum táxi parava, então eu tive que entrar em um triciclo que um africano usava como táxi. Eu e minha mulher não parávamos de rir, pensando na possibilidade de sermos atropelados por um ônibus na Quinta Avenida, segurando uma caixa de Playmobil em um triciclo”, lembra.
Como todo universo paralelo, o mundo Playmobil tem suas próprias lendas. Uma delas é a da linha de bonecos feitas sob demanda para a TV Globo. “Tinha um furgão da TV Globo, repórteres e câmeras. É uma das linhas mais raras porque nunca foi vendida, eles devem ter usado como brinde de fim de ano nos anos 80”, conta Carlos Alberto. “O legal é que tinha bonecos femininos e negros, o que foi uma grande inovação”, continua César.
Sobrevivendo à era digital, o Playmobil continua sendo um dos brinquedos mais adorados pelas crianças exatamente por dar a liberdade que o videogame não dá. Se alguém ainda não se encantou com o brinquedo, 2014 será o ano ideal para isso. “Planejamos lançar linhas comemorativas de aniversário, bonecos especiais para a Copa do Mundo e fazer alguns eventos para atrair as crianças”, conta Ricky Candi.
E o mundo Playmobil continuará aberto a novos xerifes, astronautas ou qualquer outra coisa que uma criança queira ser. “O boneco é inanimado, o que dá vida a ele é a imaginação de uma criança”, sintetiza César Ojeda.

Alguns números sobre o Playmobil:
- Os primeiros Playmobils foram feitos de madeira.
- 6 partes individuais compõem o boneco: cabelo, cabeça, tronco, braços e as partes superior e inferior do corpo.
- 7,5 cm é a altura de um Playmobil. Esse é o tamanho perfeito para as mãos das crianças.
- Para cada aumento de 2,6 na população mundial nascem 3,2 novas figuras do boneco. A população de Playmobil no mundo cresce mais rápido que a humana!
- 2,7 bilhões é o número aproximado de Playmobils dentro das casas de crianças de todo o mundo. Esse número é equivalente às populações da China e da Índia juntas.
- Se os 2,7 bilhões de Playmobils fossem colocados lado a lado, eles poderiam dar, aproximadamente, 3 voltas e meia ao redor mundo!
- Ao todo, 3.995 tipos de Playmobil já foram criados.
Com reportagens do IG e Bem Paraná
isaac