Existem muitos filmes sobre guerra. Muitos mesmo. De época ou contemporâneos. Em tons totalmente urgente e realistas. Porém, de alguma forma, mesmo pintado em cores exageradas e estilizadas, 300 – A Ascensão do Império consegue ser de uma crueza ímpar. Tudo no filme entoa um perigo iminente, uma sensação de que qualquer cabeça irá rolar a qualquer momento.
Zack Snyder não é um diretor conhecido pela força de seus roteiros. Os filmes que dirigiu e roteirizou ou pecam pela falta (caso de O Homem de Aço ou o primeiro 300) ou pelo excesso (caso de Watchmen e do subvalorizado Sucker Punch). A Ascensão do Império faz parte do primeiro lote. Contando a história de como Xerxes se tornou um deus-rei e como os persas decidiram acabar com a Grécia numa guerra banhada em sangue e servida com cabeças numa bandeja, a força do filme passa longe se ser sua história. É, novamente, o visual e um personagem.
A história deste filme se coloca antes e depois do primeiro. No começo vemos como o filho do rei persa é transformado num deus-rei (Xerxes, novamente na pele de Rodrigo Santoro) pelas artimanhas de uma guerreira, Artemísia (Eva Green, de Sombras da Noite). É quando este deus-rei resolve atacar a Grécia com todas as suas armas (também influenciado por Artemísia) que o ateniense Temístocles (Sullivan Stapleton) vai até Esparta para convencer Leônidas a se juntar a eles na guerra e se passam os acontecimentos do primeiro filme. Então, A Ascensão do Império continua, para eventos pós a morte dos 300 de Esparta e confrontos diretos entre Artemísia e Temístocles.
São a força das manipulações de Artemísia e as táticas de guerra de Temístocles que regem o filme. A força do visual também. Apesar de Snyder ter assinado somente o roteiro e a produção, deixando a direção a cargo do desconhecido Noam Murro, o filme ainda tem muito da sua característica geral. Seja no visual, no pouco roteiro ou em algumas más escolhas de elenco.
Se Artemísia é a força motora do filme, a personagem principal e uma manipuladora ímpar (embora não seja a guerreira mais esperta no campo de batalha), é pena que Eva Green entregue novamente um desempenho fraco, como fez em Sombras da Noite. Sua beleza (nem tão extravagante assim) não é o bastante para dar corpo e alma àquela mulher implacável e sua interpretação mais parece uma caricatura que uma personagem. Feliz ou infelizmente, Sullivan Stapleton não faz com que as coisas destoem. O ator australiano pouco conhecido da mesma forma não impõe a devida força a seu personagem. Seu Temístocles parece apenas um homem birrento que adora um discurso pré-batalha.
Mesmo com tudo isso, A Ascensão do Império não resulta num filme ruim. Suas batalhas ou mesmo os planos de Artemísia (que demonstram certa genialidade) aparecem deslumbrantes na tela, enchendo os olhos e nos colocando dentro da guerra. Os personagens mal desenvolvidos e os atores fracos atrapalham um pouco, é verdade, e talvez por isso ele não seja tão bom quanto o primeiro filme. Talvez tenha faltado mesmo a mão de Zack Snyder no comando (mais ocupado no momento com o filme que reunirá Batman e Superman), mesmo que com atores não tão bons. Apesar de não ser um filme de atores, em diversos momentos a falta da capacidade de atuação fica clara e prejudica o todo. Mas no fim das contas ele entretém e envolve o espectador num filme que não é longo demais e deixa pronto o gancho pra uma continuação. Porém o mais curioso é perceber como um filme que tem no artificial sua marca registrada pinta uma batalha com sensações tão reais e pulsantes.

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