Você com certeza já ouviu alguém dizer ou já leu em algum lugar que a sequência de um filme começa “logo depois dos eventos do filme anterior”, certo? Geralmente você nem lembra exatamente como o filme anterior terminou, mas aos poucos vai reconhecendo os “acontecimentos seguintes”. Pois é, Muppets 2 – Procurados e Amados leva essa teoria a um nível totalmente novo: ele começa com o The End do primeiro filme. Literalmente. O recado de FIM estampa a tela igual no primeiro filme e… a parte 2 começa.
Kermit, Miss Piggy, Fozzie, Gonzo se perguntam: o que as câmeras fazem ali se o filme já acabou? A conclusão é clara e rápida: vai haver uma sequência! Se até aí o filme não tinha revelado a que veio, no primeiro número musical que se segue ele se revela: humor, referências cinematográficas (que vão de O Sétimo Selo aos balés aquáticos de Esther Williams) e pop e piadas para agradar as crianças. E assim vai ser ao longo das quase duas horas seguintes.
Com um custo de $45 milhões de dólares e um retorno mundial de mais de $165 milhões da primeira aventura em 2011, era natural que uma sequência viesse em seguida. E estamos falando de Muppets, afinal de contas. Seu primeiro longa para o cinema data de 1979 e, de lá pra cá, os bonecos vivem no inconsciente de todos. Mesmo com o hiato de 12 anos (o último lançamento era Muppets do Espaço, de 1999), ninguém se esqueceu deles. A volta triunfal aos cinemas se deu em 2011 com o peso de Jason Segel e Amy Adams no elenco e um Oscar de melhor canção no bolso (este, disputado com uma canção de Sergio Mendes e Carlinhos Brown para a animação Rio bem mais merecedora do prêmio, diga-se). O público saudosista amou, as crianças também e… a sequência estava garantida.
Desta vez o dramático sapo Kermit (outrora Caco), a assanhada porquinha Miss Piggy e seus amigos irão enfrentar um bandido internacional numa trama que passará por cidades como Dublin e Madrid. Um bandido internacional irá recrutar a trupe para uma turnê mundial usando-os como álibi para roubar artefatos que lhe permitirão roubar as jóias da coroa inglesa. Com a ajuda de Constantine, um sapo que seria igual a Kermit não fosse uma pinta preta no rosto, ele ganhará a confiança do bando e os envolverá na investigação policial internacional. Claro que nada é complicado ou intrincado assim como parece. Estamos falando de um filme infantil afinal de contas. Nem a troca forçada de identidade entre Kermit e Constantine será um problema para os pequenos.
Como em 2011, também temos nomes de peso adicionados ao elenco: desta vez os comediantes Tina Fey e Ricky Gervais interpretam personagens fundamentais à trama. Assim como Ty Burrel, do seriado Modern Family. Tina Fey se encarrega da policial russa encarregada da gulag, a prisão de segurança máxima onde Kermit é encarcerado no lugar de Constantine após a troca de identidade. Ricky Gervais é o bandido que irá enganar a trupe de bonecos em nome do sucesso. E Ty Burrel o policial francês encarregado da investigação (e que lembra muito o Inspetor Clouseau de Steve Martin em A Pantera Cor de Rosa). Sotaques e interpretações propositalmente carregadas, claro, darão o tom da coisa toda.
Se as interpretações, os bonecos e as gags visuais farão a festa dos pequenos, a trama infantil mas não estúpida e as referências certamente irão entreter os pais. De Lady Gaga e Usher a Salma Hayek e Tom Hiddleston, passando por James McAvoy, Tony Bennet e Chritoph Waltz, o desfile de gente famosa em pontas “insignificantes” é imenso. Chloe Grace-Moretz é uma entregadora de jornal; Ray Liotta e Danny Trejo são dois bandidos que cantam e dançam; Stanley Tucci um guarda; Hugh Bonneville um jornalista corrupto… e por aí vai. A coisa culmina na participação especial de Celine Dion, numa das cenas (propositalmente) mais bregas que a história do cinema já produziu.
Com risadas garantidas para os pais e diversão visual garantida para os pequenos, Muppets 2 é, como sua mãe Disney tanto gosta de dizer: diversão para toda a família. Sem dúvida alguma. E uma das coisas mais inocentes que você verá dentro de um cinema, com certeza.
