Uma matéria original de Flávio St Jayme
Quando aconteceu o auge do cinema, o medo e o que se dizia era que ele iria acabar com a TV. De fato, já faz 120 anos que os Irmãos Lumiére apresentaram aquela misteriosa invenção e, de lá pra cá ela só cresceu. Mas tomou o lugar da TV na vida das pessoas? Claro que não. TV e cinema vem convivendo em sintonia há anos. Porém agora o que se nota é o reverso: será que a TV é que irá matar o cinema?
Hoje em dia é muito comum ver atores, diretores, roteiristas estabelecidos no cinema irem parar na telinha. Sem falar na qualidade crescente dos produtos televisivos: hoje é muito mais fácil se encontrar algo realmente bom na telinha da TV que na telona do cinema (com seus altos preços de ingressos, pipoca e desconforto geral). Se antes a TV era vista como um produto menor, hoje Hollywood se debate e se estapeia por um lugar numa produção televisiva. Para citar somente alguns nomes: Matthew McConaughey, Kevin Spacey, Liv Tyler, Jessica Lange, Robert Rodriguez, Guillermo del Toro, Robbin Williams, Anthony Hopkins. E agora é a vez de Steven Spielberg e Halle Berry.
Spielberg, é claro, não é novato na TV. Já trabalhou como produtor executivo em muitas séries, como Smash, Under the Dome, Falling Skyes, a subvalorizada Terra Nova, United States of Tara e a mais conhecida delas, Band of Brothers. Agora ele assina a produção executiva de Extant.
Ficção científica misturada com suspense, a série traz inúmeras referências a ícones do cinema, que vão de 2001 e Inteligência Artificial a Alien e Gravidade. A premissa parece simples: após passar um ano em órbita em uma missão solo, a astronauta Molly Woods (Halle Berry, de X-Men e vencedora do Oscar por A Última Ceia) precisa se readaptar à vida cotidiana. Passada num futuro não definido, Extant vai lidar com problemas muito mais complexos do que este: seu filho, Ethan, é um robô; enquanto estava em órbita, Molly sofreu um “apagão” de várias hortas que ela não consegue explicar; existe uma grande conspiração que envolve governo, NASA e empresas privadas para que muita coisa seja escondida; um estranho a avisa: não confie em ninguém. Fora outros detalhes muito mais desconcertantes.
Para quem está habituado com a filmografia de Steven Spielberg, não é difícil reconhecer muitos dos elementos preferidos do diretor em Extant: o drama familiar, a criança mal compreendida, o fascínio pelo futuro e pelo espaço. Até mesmo dinossauros fazem “pontas” em pelo menos duas aparições. Enquanto isso, Extant vai apresentando seus personagens centrais e seus conflitos que, como em todo suspense, deixam questões em aberto.
O primeiro episódio é um prólogo intrigante e envolvente sobre aquela mulher com quem não tardaremos a simpatizar. Vemos em seu rosto (ponto para a interpretação excelente de Barry) a tentativa de se reintegrar àquele mundo que deixou de testemunhar por mais de um ano. Vemos em seus olhos desesperados seu dilema em amar aquele filho que na verdade é um ser mecânico. E quando ela dá sinais de estar se ajustando, coisas inexplicáveis acontecem.
Claro que uma das maiores questões aqui é: o que é real? Como o próprio nome do seriado deixa claro (Extant significa existente), quem e o que existe de verdade ali? O que de verdade aconteceu e está acontecendo? Se atendo bem mais ao suspense que à ação, Speilberg e o criador Mickey Fisher nos apresentam, basicamente, àquela família meio torta, formada por um cientista, uma astronauta e um robô, que inocentemente (ou não) está sendo manipulada por todos à sua volta. Com uma premissa excelente e instigante, a série promete ser uma das boas surpresas da temporada começando com um ótimo primeiro episódio.
Extant estreou nos Estados Unidos dia 09 de julho no canal CBS, terá treze episódios e não tem previsão de chegada por aqui.

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