Filmes-catástrofes geralmente costumam seguir uma fórmula básica: enquanto o mundo (leia-se Estados Unidos) é consumido por uma avalanche, uma nevasca, um vulcão ou um furacão, uma família em desajuste tenta entrar nos eixos. São pais e filhos que não se acertam, irmãos que brigam o tempo todo, marido e mulher que vivem em pé de guerra ou mesmo colegas de trabalho que vivem aos trancos e barrancos. Isso até que a tragédia se estabeleça e os obrigue a se acertarem, às vezes da forma mais sofrida e até lacrimosa possível.
Foi assim em O Dia Depois de Amanhã, Armageddom, Independence Day, O Inferno de Dante, 2012 e Twister. Este último primo-irmão de catástrofe de No Olho do Tornado, que estreia na próxima quinta-feira no Brasil. Se em 1996, Twister trazia um grupo de cientistas em busca de estudar os tornados para melhor entendê-los até que fossem arrebatados no meio da tempestade, desta vez os motivos para os personagens perseguirem os fenômenos são bem menos nobres e bem mais atuais.
Pete (Matt Walsh) e Allison (Sarah Wayne Callies) são colegas que trabalham em um programa de TV de caça a fenômenos naturais. O programa está perdendo audiência e Pete precisa de um fenômeno realmente grande para alavancá-la. Allison encontra uma grande tempestade se formando próxima à cidade de Silverton e eles e sua equipe decidem ir atrás. Lá na cidade está para acontecer a formatura do high school dos irmãos Donnie (Max Deacon) e Trey (Nathan Cress), na escola onde o pai deles é vice-diretor. Ambos foram instruídos a, como tarefa escolar, gravar um vídeo para ser deixado em uma cápsula do tempo e aberto somente dali 25 anos. Donnie, o mais velho, é inseguro e nutre uma paixão secreta por Kaitlyn (Alycia Debnan Carey); Trey é autoconfiante e impulsivo, e acaba empurrando o irmão para situações nem sempre convenientes. Ambos moram com o pai, Gary (Richard Armitage, de O Hobbit, único nome conhecido do elenco) e, como bons adolescentes, não se entendem. No meio de tudo isso, Donk (Kyle Davis) e Reevis (Jon Reep) são dois abobados aprendizes de celebridade online que sonham em gravar um vídeo absurdo para fazer sucesso nas redes sociais.
Está armado o roteiro do filme. Estes personagens acabarão entrando (voluntariamente ou não) no caminho do tornado que, claro, vai se mostrar muito maior e mais perigoso do que se espera. No Olho do Tornado poderia ser só mais um amontoado de clichês e efeitos especiais, mas o diretor Steven Quale (do excelente Premonição 5, que foi capaz de trazer um novo e incrível capítulo à saga) consegue fugir do óbvio. Não que não existam momentos de clichê ou recheados de efeitos especiais – estes muito bons, por sinal. Mas ao levar a ação principal para as mãos dos protagonistas, Quale cria uma espécie de cruza de Twister com A Bruxa de Blair. Todos ali estão munidos de câmera, seja para fazer o programa de TV, o projeto da escola ou o vídeo para por na internet. São, em grande parte, estas imagens que montam o filme. E isso nos dá uma sensação de urgência e de perigo real impressionantes.
No fim, No Olho do Tornado pode não ser o filme mais original do gênero. Mas certamente é muito melhor que vários filmes em cartaz no momento e sim, consegue ser original dentro de um gênero que, catástrofe após catástrofe, tende a se repetir até o “fim dos tempos”, mas este é outro filme.
muito bom esse filme
BEM LOCO