Por que M3GAN 2.0 flopou, apesar do sucesso do original?

O primeiro filme M3GAN (2023) foi uma surpresa de bilheteria: com orçamento de apenas US$ 12 milhões, faturou cerca de US$ 181,8 milhões globalmente, gerando um lucro líquido estimado em US$ 78,8 milhões. Era natural, então, esperar que M3GAN 2.0 repetisse esse êxito — ainda mais com um investimento pesado em marketing e equipe criativa retomada.

O que deu errado?

1. Expectativas distorcidas e troca de gênero

  • Jason Blum, produtor da Blumhouse, admitiu que a equipe “pensou em M3GAN como se fosse Superman” — acreditavam que poderiam remodelar livremente a personagem, fazendo dela de vilã psicótica num filme de terror a heroína num blockbuster de ação.
  • Essa “troca de gênero”, do terror-horror com humor campy para ação-comédia, resultou numa proposta que não agradou nem fãs do terror, nem o público de verão.

2. Prognósticos superestimados e lançamento mal posicionado

  • As projeções iniciais estimavam uma abertura nos EUA de US$ 45 milhões, mas o filme arrecadou apenas US$ 10,2 milhões no fim de semana de estreia — cerca de um terço do previsto.
  • Ser lançado em 27 de junho, no ápice da temporada de verão, fez com que concorresse com filmes maduros e blockbusters como F1 (US$ 144 mi de abertura global) e animações fortes — deixando M3GAN 2.0 em 5º lugar nas bilheterias de estreia.

3. Falta de tempo para lapidação

  • Blum ressaltou que gerir essa mudança de gênero exige uma execução “nota A+” — algo que o diretor Gerard Johnstone, apesar de talentoso, não teve tempo para alcançar devido à pressa em transformar o filme num grande lançamento.

Dados frios comprovam o fracasso

Enquanto o primeiro faturou quase 15 vezes seu orçamento e teve abertura robusta de US$ 30 milhões, 2.0 mal atingiu US$ 21 milhões mundialmente, cobrindo o limite inferior do orçamento.

Apesar do investimento em marketing e equipes criativas, M3GAN 2.0 sucumbiu a um conjunto de erros estratégicos:

  • Subestimou até onde o público realmente se conectava com a personagem, tentando ampliar demais o conceito original.
  • Movimentou a data de lançamento para o verão sem calibrar o posicionamento do título.
  • Acelerou o processo, deixando a produção desatualizada e pouco refinada.

O resultado foi uma bilheteria aquém do esperado — uma lição de que nem todo sucesso vira franquia de blockbuster, mesmo com grana e notoriedade.

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