Uma das séries mais marcantes e importantes da cultura LGBT completa 25 anos de lançamento este mês.
Em 2000 era pouco comum vermos personagens gays na TV e no cinema a não ser que servissem de alívio cômico. Will & Grace, que estreou em 98, trazia uma visão diferente dessa, com mais profundidade e mais verdade. Mas foi apenas em 2000, com a estreia de uma outra série, que o caminho para as futuras produções LGBT foi pavimentado de verdade.
Pela primeira vez a comunidade LGBT se via de forma mais verdadeira numa produção de TV. Ainda que bastante estereotipada, é verdade, a série trazia personagens gays mais reais, que trabalhavam, tinham problemas, dilemas, emoções e eram pessoas “normais” como qualquer um, não se limitando a serem definidos por sua orientação sexual.
Adaptada de uma série inglesa que durou apenas 10 episódios, a versão americana de Queer As Folk foi um marco cultural: estabeleceu o caminho para a representatividade nas telas.
Por cinco temporadas acompanhamos a vida de Michael, Brian, Justin, Emmett, Ted, Melanie e Lindsay, nos envolvendo em suas vidas e também em temas difíceis como a crise da AIDS/HIV, a homofobia internalizada, o abuso de drogas, a prostituição, a formação de famílias não tradicionais e a violência.
Para mim, que estava me descobrindo um homem gay na época, fugir das representações cômicas das novelas e programas brasileiros e me ver como uma pessoa de verdade naquela série foi extremamente marcante. Era a primeira vez que eu via algo do gênero: uma produção em que o gay não servia só pra rir e era mais que um personagem afetado. Os personagens de Queer as Folk eram, como dizia o trocadilho do título, estranhos como qualquer um de nós. Viviam uma vida real, possível, imaginável. Tinham aspirações profissionais, queriam casar, encontrar o amor verdadeiro. E aquilo me deu um senso de pertencimento que nunca tinha sentido.
Se hoje vemos produções como Heartstopper, Looking, Smiley ou Com Amor, Victor, isso é graças às portas que Queer as Folk abriu: a ousadia da série pavimentou o caminho para a aceitação de narrativas queer mais complexas e explícitas.
Leia o que já publicamos sobre Queer as Folk
Queer As Folk não foi apenas uma série; foi um movimento cultural que validou a experiência LGBT na televisão, desafiou a norma e deixou um legado de coragem narrativa que continua a moldar a forma como a diversidade é contada e consumida globalmente ainda hoje.
Infelizmente nem a série inglesa, nem a americana e nem o reboot de 2022 estão disponíveis em nenhum streaming brasileiro. Mas fica a dica para quem quiser procurar por outros meios: Queer as Folk permanece forte, poderosa e relevante. Mesmo 25 anos depois de sua estreia.
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