Oscar 2011. O que eu vi e o que eu achei do que eu vi…

Dentre os 10 indicados a melhor filme, vi 8. Não assisti Inverno da Alma nem Bravura Indômita (odiei o filme dos Cohen do ano passado e não morro de amores por faroestes).

Cisne Negro

A história da bailarina atormentada é um dos melhores filmes entre os indicados. Natalie Portman simplesmente dá um show como o Cisne Branco que não consegue ser Cisne Negro e entra em parafuso. Parece que Aronofsky é um dos poucos diretores atuais que consegue arrebatar o espectador com seu filme, por mais que ele ande renegando Réquiem Para um Sonho, acho que poucas vezes fiquei tão embasbacado com um filme quanto este (Réquiem). Cisne Negro transforma um filme de balé num thriller psicológico perturbador. E irresistível.

O Discurso do Rei

Um filme redondinho que se vale do talento de Colin Firth, Goefrey Rush e Helena Boham Carter para contar uma história que já vimos inúmeras vezes: a do homem fragilizado lutando consigo mesmo para superar seus traumas e limites. Muito bom, porém o filme não inova, não traz nenhum elemento diferente do muito que já se fez no cinema. O trio principal mecere honras e se Firth não ganhar novamente o Oscar, já é implicância.



A Rede Social

O mais surpreendente deste filme é que ninguém esperava que ele fosse tão bom. Claro que sob a batuta firme de um David Fincher muito se esperava, mas confesso que eu não era dos que esperava. Depois do malérrimo Benjamin Button cheguei a pensar que o diretor de obras primas como Clube da Luta, Seven, Zodíaco e Vidas em Jogo tinha perdido a mão. Mas me enganei. A Rede Social é ágil, rápido como o pensamento de Mark Zuckerberg. Inteligente, engraçado, tenso… por mais que a gente já saiba (e viva) o fim da história. Jesse Eisenberg está muito bem, mas não a ponto de tirar o prêmio de Colin Firth.

Minhas Mães e Meu Pai

A zebra do ano, na minha opinião, dificilmente comédias e filmes leves levam o prêmio principal. O filme é bom, mas por trás de seu ar inovador se escondem alguns clichês (como dizer que o grande problema de uma lésbica se resume a falta de homem). As atrizes principais, Anette Benning (indicada) e Juliane Moore estão extremamente confortáveis nos seus papéis (Benning um pouco mais, por isso somente ela foi indicada) e Mark Ruffalo sempre ótimo, charmoso e carismático. No filme a gente até descobre que Mia Wasikowska (a Alice do filme do Tim Burton) sabe interpretar!

A Origem

Um dos meus três favoritos absolutos (junto com Cisne Negro e Toy Story 3), A Origem é daqueles filmes de derrubar a gente da cadeira. Ficção inteligente, taí um gênerro bem raro no cinema. Mas um herói chegou para mudar isso: Christopher Nolan. A mente brilhante por trás de maravilhas como Batman Begins, O Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque e Amnésia nos presenteia com mais um filme absolutamente perfeito. Seu elenco afiadíssimo (pausa para lembrar de Joseph Gordon-Levitt) ajuda em muito num filme visualmente impecável, com roteiro complexo na medida certa e que não pretende mudar o mundo como outras ficções recentes “pretendiam” pretensiosamente. Assita e fique pensando a respeito….

O Vencedor

Não gosto de filmes de boxe. Ponto. Não simpatizo com o Mark Whalberg também. Mas gostei de O Vencedor. Nos primeiros três minutos de filme Christian Bale ganhou meu ódio pelo personagem, e me ganhou no filme. Uma daquelas coisas que te dão vontade de entrar na história, dar um fim no cara para que o irmão seja feliz. Muito enervante um cara talentoso preso a um irmão-atraso-de-vida. Bom, mas não é tudo aquilo.

127 Horas

Esse sim é uma das coisas mas agoniantes que vi nos últimos tempos. Imagine um filme claustrofóbico passado ao ar livre. Então. Não tinha vontade de ver, confesso. A história do cara que fica preso numa montanha e tem que cortar o próprio braço para salvar sua vida não me atraía nem um pouco. “Como eles vão encher linguiça em duas horas de filme?”, eu pensava. A resposta é: Danny Boyle. Em alguns momentos o filme lembra o ótimo Quem Quer Ser um Milionário (e eu de cá espero a adaptação de Seis Suspeitos, do mesmo autor, para o cinema pelas mesmas mãos), mas nunca fui lá muito fã de Boyle. Não gosto de Trainspotting, mas não desprezo sua qualidade. Adoro Cova Rasa, esse sim de cair o queixo. No fim, por mais que a gente saiba o que vai acontecer, o filme prende, agonia, dá nojinho e é bacana. James Franco também não merece Oscar por sua atuação meia-boca.

Toy Story 3

Se houvesse justiça no mundo, Woody, Buzz e seus amigos sairiam da noite do Oscar com a estatueta de melhor filme. Sem puxa-saquismo, mas os desenhos animados (particularmente os da Pixar) têm tomado uma proporção e qualidade muito superior a alguns filmes. Na lista dos indicados deste ano, Toy Story fica acima de vários. Quem me conhece sabe que me encanto com os desenhos da Pixar todos os anos, e nem acho a série Toy Story os melhores deles. Mas o filme é realmente encantador, com seu humor peculiar, ruas referências e seu visual deslumbrante. A dor do crescimento e de se deixar coisas para trás pra mim nunca foi melhor retratada, assim como a importância de se ter amigos. Woody e Buzz mereciam a estatueta de melhor filme, mas a de melhor animação está garantida. Por mais que Como Treinar seu Dragão seja muito bom, não é melhor que a última aventura dos brinquedos que viraram símbolo da Pixar e da animação digital.

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s