Resenha do blog: Elvis e Madona

Elvis é uma motoqueira que quer ser fotógrafa e acaba trabalhando como entregadora de pizza. Madona é um travesti que ganha a vida como cabeleireiro e faz shows ocasionais em boates. Sonha em ter seu próprio show.
Elvis é mulher, e é lésbica. Madona é homem, e é gay. Os dois vão se apaixonar.
Parece complicado, e é. Com os papéis totalmente invertidos essa comédia romântica brasileira aposta na diversidade para agradar o público e tornar a história crível. E consegue!
Num cinema com 6 pessoas (incluindo eu), o filme fez rir fácil, vezenquando com piadas inteligentes e referências ao universo gay para um público bem específico.
No início um tanto exagerados, os personagens principais vão conquistando e convencem em seus papéis. Madona, o avantajado (estaturamente falando) Igor Cotrim, é engraçada, rápida e espalhafatosa. Como é comum a homens muito grandes (ainda mais se passando por mulher) é toda braços e gestos. De salto alto e unhas enormes e cabelo comprido o tempo todo, ela quase chega à naturalidade de um Gael Garcia Bernal em Má Educação. Quase.
Elvis, a bela curitibana Simone Spoladore, esbanja masculinidade em seu cabelo curtinho e roupa de bad boy.
Não fosse o inusitado do casal seria apenas mais uma comédia romântica. Sim, porque é uma comédia romântica. Por uma dessas coincidências típicas dos filmes do gênero os dois acabam se conhecendo e se apaixonando: Madona é atacada pelo namorado João Tripé (!!), que rouba todo o dinheiro que ela vem guardando para montar seu próprio show. Quando ele vai embora é Elvis quem vem entregar a pizza que ela tinha pedido.
As cenas de conhecer um ao outro, os desencontros, as confusões, estão todos lá. Até os 10 elementos básicos da comédia romântica acho que podem ser encontrados no filme.
No início é realmente difícil acreditar no romance nada, NADA, convencional. Mas depois que nos acostumamos naturalmente com a estranheza da relação, ele flui fácil. São um homem e uma mulher apaixonados, afinal. Só que ao contrário.
Escrito e dirigido pelo estreante Marcelo Laffitte, o filme custou R$1,2 milhões e parte do baixo orçamento pode ser percebida na tela. Mas isso não incomoda. “Logo nos dez primeiros minutos os personagens estão tão bem desenhados, que as pessoas se desligam do fato de que se trata de um travesti e uma lésbica se apaixonando. Eles vão se divertindo com a história, se envolvendo com essa coisa do feminino e do masculino do casal se sobressair conforme as situações” , disse Laffitte em uma entrevista.
O filme tem suas falhas, como o nível de estereotipação de alguns personagens, mas a busca por ser Almodóvar continua firme e forte no Brasil. E este se sai melhor que Onde Está a Felicidade?, neste sentido.
O mais trunfo do filme é justamente pintar um assunto que poderia ser sério demais ou pesado com tintas leves e coloridas. Transformar um romance difícil de ser digerido em um filme gostoso de assistir até com os pais. Ponto para Laffitte em sua estreia.

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