Resenha do blog – Oscar edition: Os Miseráveis

Faz 12 anos que um filme mudou a história do cinema moderno. Em 2001 o ‘visionário’ diretor Baz Luhrmann ressuscitou um gênero outrora clássico e popular no cinema e há anos morto: os musicais. Com sua ópera pop multicolorida e frenética, Luhrmann mostrou a todos que sim, era possível reinventar um gênero. Seu Moulin Rouge maravilhou plateias, concorreu a 8 Oscars (incluindo melhor filme, mas levou só de figurino e direção de arte) e, de quebra, trouxe o defunto à vida com força total. De lá pra cá, entre filmes bons e ruins, o cinema foi reinvadido pela cantoria. Dreamgirls, Os Produtores, Hairspray, Nine, Across The Universe, Rent, Mamma Mia, Sweeney Todd, Rock of Ages…. adaptados de peças teatrais ou não, ano a ano a quantidade de produções do gênero só aumenta.
Agora a adaptação da peça teatral Os Miseráveis (por sua vez adaptado do romance de Victor Hugo) chega às telas. Arrebatando também oito indicações ao Oscar, entre elas a de melhor filme do ano, o épico de liberdade, igualdade e fraternidade é nada menos que emocionante e no teatro já vendeu mais de 60 milhões de ingressos.
A conhecida história de Jean Valjin (aqui espetarcularmente encarnado por um Hugh Jackman desassociado completamente de seu Wolverine), preso 20 anos por roubar um pão para alimentar o filho da irmã, toma ares de clássico cinematográfico com gigantescos cenários e produção esmerada em detalhes. Contemplando cerca de 40 anos da história do ‘herói’, o enredo passa por revoluções, amores e vingança. Como em qualquer épico, uma história grandiosa e envolvente, com as tintas carregadas na emoção.
Daí pode-se pensar que o filme é apelativo. Não é. Nas mãos erradas poderia tornar-se um melodrama insuportável, mas sob a hábil direção de Tom Hopper (do oscarizado O Discurso do Rei) emociona, faz chorar e torcer. A performance de Anne Hathaway como Fantine é simplesmente arrebatadora. O numero musical de I Dreamed a Dream, ininterrupto, sem cortes, e com a câmera o tempo todo enfiada na cara da atriz é digno de se aplaudir de pé em pleno cinema (o que precisei me segurar pra não fazer). Não é a toa que a atriz vem recebendo todos os prêmios a que é indicada pelo papel e que na bomboniere do cinema ao comprar pipoca o atendente perguntou se eu queria guardanapos extras para secar as lágrimas.
Às duas performances incríveis, juntam-se atuações não tão marcantes mas eficientes de Amanda Seyfried (de Mamma Mia), Helena Boham Carter (de Sweeney Todd), Samantha Barks (que já fez o musical na Broadway), Eddie Redmayne (de Sete Dias Com Marylin) e Aaron Tveit (de Perigo Sob Encomenda). Por mais que estes dois últimos possam ter sofrido de um pequeno erro de escalação de elenco e pudessem trocar de papéis. Já os outros dois nomes conhecidos do elenco decepcionam feio, apesar de não chegarem a estragar o filme. Sacha Baron Cohen (de Borat e Sweeney Todd) é, como de costume, careteiro, caricato e cansativo. Já Russel Crowe – o grande equívoco de Hollywood – não convence nem atuando e muito menos cantando como o algoz de Valjin, Javert.
É preciso que se diga que as musicas foram gravadas ao vivo, durante as performances dos atores. Ou seja, imperfeições estão lá: desafinadas, engasgadas com choro, suspiros. O que, somado à câmera impiedosa colada à cara dos atores, torna tudo ainda mais natural e emocionante. Entre as indicações ao Oscar estão: melhor ator (Hugh Jackman), melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway – praticamente com o prêmio na mão), figurino, maquiagem, canção original, design de produção, mixagem de som e filme. É provável que só leve a estatueta de atriz coadjuvante mesmo. Mas tem potencial para ser o melhor filme do ano, sem dúvidas.
Os Miseráveis é sim, daqueles filmes em que os personagens choram na hora de casar, na hora de sofrer, na hora de discutir e na hora de morrer. Mas tudo é tão magnífico, tão gigantesco, tão parte de um conjunto maior e espetacular que nunca fica cansativo ou tedioso. É difícil conter as lágrimas e o atendente da bomboniere estava certo: guardanapos extras para limpar o rosto são mais que recomendáveis.

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