Alô, Dolly! em Curitiba

Assim como aconteceu no cinema, depois de anos no ostracismo, os musicais vem retomando seu lugar também nos teatros. Claro que na Broadway eles nunca morreram e seu panteão é garantido. Mas no Brasil há algum tempo não se via tantas produções de qualidade. Produções de altíssimo nível desembarcam por aqui com frequência, como: Mamma Mia, O Rei Leão, A Família Adams, Evita, Os Produtores, O Despertar da Primavera, Avenida Q, Hairspray, Xanadu…. (todos eles vindos da Broadway em excepcionais produções nacionais) e Nada Será Como Antes e Sassaricando criados aqui no Brasil.

Dentre todas (ou quase todas) estas produções, se destacam três nomes: Charles Moeller, Claudio Botelho e Miguel Falabella. Pode-se dizer que os três (ainda que não em conjunto), são os grandes responsáveis por trazer estes espetáculos pro Brasil. Por trás da direção, produção e tradução dos textos e musicas, fazem um trabalho excepcional traduzindo para o português os versos das musicas na maioria das vezes já conhecidas do grande público, como as canções do grupo sueco Abba em Mamma Mia.

Destes citados vi poucos, pois não é sempre que me proponho a viajar para São Paulo para ver uma peça (como foi no caso de Mamma Mia, Evita e O Rei Leão). Então espero eles chegarem em Curitiba. Aqui vi Avenida Q, Xanadu, Nada Será Como Antes, Sassaricando e agora, Alô Dolly.

A produção adaptada da Broadway é impecável. Falabella traduz texto e musicas de forma brilhante e Marília Pera brilha como Dolly Levy em cena. A história leve e divertida da casamenteira que resolve casar com um caipira rico faz rir e cantar junto até mesmo quem não conhece as musicas. Levada para os cinemas em 1969 sob a direção de ninguém menos que Gene Kelly (o mestre dos musicais, mente por trás do magnífico Cantando na Chuva), com Barbara Streisand como Dolly, a versão musical é tida como um dos clássicos do gênero e trazia Walter Mattau como o caipirão Horace Vandelgelder, papel que nesta produção nacional ficou com o próprio Falabella. Como está se tornando de praxe, ele dirige, traduz, produz, escreve e atua nos espetáculos. O legítimo one man show brasileiro. Ainda que tenha se esquecido de como interpretar, talvez sobrecarregado pelas outras tarefas, e sofra da Sindrome de Caco Antibes, apresentando sempre o mesmo personagem desde Sai de Baixo, com variações de sotaque.

A produção que se vê no teatro brasileiro é impecável. Cenários, figurinos, coreografias, musicas, interpretações, vozes…. atores principais e ensemble se empenham e com leveza nos deliciam com as loucuras de Dolly em cena! Ainda existem aqueles probleminhas clássicos de teatro musical no Brasil, de às vezes não entendermos o que os atores cantam pois a melodia fica alta demais e é bem verdade que a língua presa de Marília Pera causa um certo estranhismo (ficamos a peça toda nos perguntando se ela foi sempre assim e nunca notamos ou se algo está errado. Ou se sua dentadura está solta…), mas não prejudica maravilhoso o resultado final.

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