Resenha do site: Behind the Candelabra

behind-the-candelabra-posterMuita gente já conhece a história que cercou a produção de Behind the Candelabra. Até onde ela é verdade total não se sabe, mas fato que já virou lenda: o filme foi recusado por todos os grandes estúdios a que foi proposto por ser considerado ‘gay demais’. Seu diretor, o renomado (e oscarizado) Steven Soderbergh, teve que bater à porta da HBO que aceitou produzir o filme para TV. Diretor de filmes ótimos como Contágio e Terapia de Risco (só para citar os mais recentes em relevância), Soderbergh acabou por se contentar com as limitações que isso lhe traria: a impossibilidade de concorrer ao Oscar, por exemplo. Mas nem por isso fez um filme menor. E nem lhe impediu de concorrer a outros prêmios. Behind the Candelabra concorre a 15 Emmys, o prêmio da TV americana, que terá seus ganhadores divulgados no próximo dia 22. E é tido como certo entre os indicados ao Globo de Ouro. Entre as indicações estão melhor filme, direção, maquiagem, figurino, direção de arte e, claro, melhor ator.

O grande trunfo do filme é seu ator principal. Para nós, brasileiros, o nome Liberace não diz muito. O pianista que fez sucesso nos anos 70 e 80 em Las Vegas é pouco conhecido por aqui, mas parte de sua história rende um filme brilhante, por assim dizer. Uma espécie de Cauby Peixoto norte americano, Liberace se afundava em jóias, cores, brilhos e peles para suas apresentações. Seus pianos eram revestidos de brilhantes e espelhos, seu figurino era sempre extravagante e suas apresentações beiravam o brega. Mas tratava-se de um talento e carisma natos. Alguém aí se lembrou de Elton John? Sim, o rock star se inspirou na figura rocambolesca do pianista para criar sua persona.

Mesmo com todas as evidências contra, para o público Liberace era um heterossexual convicto. Dentro de seu camarim e de sua casa “com colunas romanas de verdade” era uma pessoa afetuosa, carinhosa, maniqueísta e frágil. Ah sim, e gay. Ao se apaixonar por jovens muito mais novos que ele, o astro se envolvia e se entregava. Mas não tardava a enjoar e passar para o próximo, tirando tudo o que podia do anterior. Assim nasce a história deste filme, que mostra os últimos anos do pianista que morreu em decorrência da AIDS em 1987.

Michael Douglas está irreconhecível no papel de Liberace e mostra uma entrega excepcional para um ator de seu porte e reputação. Sem medo faz cenas de nu e sexo gay, troca carícias e sem exageros faz trejeitos e vozes. Douglas já admitiu que aceitou o papel logo após se recuperar de um câncer e que tratou-o como um presente. Seu amante é interpretado por um quase surpreendente Matt Damon. A cara de sono continua lá, mas Damon se mostra quase tão bom quando foi em O Talentoso Ripley, de longe seu melhor trabalho. Os dois têm química perfeita em cena e é baseado no livro escrito por Scott Thorson (personagem real interpretado por Damon) que o filme foi roteirizado.

As mãos de Soderbergh são hábeis, constroem a história entre palco e bastidores de forma simples. A vida oculta criada por seu agente (na qual Liberace afirmava que uma patinadora era o grande amor de sua vida), a vida real com trocas de juras de amor na cama com seu parceiro, a vida de glamour imposta, as exigências. Tudo nos mostra o um pouco batido clichê de que fora dos palcos os astros são infelizes. No caso do pianista, sua busca constante por jovens mais novos para companhia. O filme não chega a ser arrebatador. E ao contrário do que pensaram os grandes executivos de Hollywood, também não é chocante. Consegue mostrar cenas de sexo, olhares, atitudes e não ser ‘gay demais’. Ainda assim, é de impressionar quando comparamos com os dias de hoje, como a década de 70 era mais “liberal” em muitos sentidos, mas ainda assim conservadora a ponto de forçar um astro claramente gay a jurar amor eterno por uma mulher.

Vale como conhecimento, como história. Para conhecermos alguém que, apesar de famoso, pode não ser tão diferente assim de nós mesmos. E pela espetacular interpretação de Michael Douglas. Aliás, Douglas e Damon concorrem entre si ao Emmy de melhor ator pela produção.

O filme estréia dia 26 nos cinemas americanos (após já ter sido transmitido pela HBO) e não tem data de estréia no Brasil.

ATUALIZAÇÃO: dia 23-09 foram entregues os prêmios do Emmy e Behind the Candelabra ganhou os troféus de melhor ator de minissérie ou telefilme (Michael Douglas), melhor minissérie ou telefilme e melhor diretor em minissérie ou telefilme (Steven Soderbergh).

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