Não posso chamar este texto de resenha. Não exatamente, já que não assisti o filme inteiro. Aguentei, com muito custo, 35 minutos de filme. Quando Yuri Holanda aparece em cena como Dinho com uma interpretação digna de Malhação desisti de vez. É tudo tão ruim, tão desconexo, tão sem contexto, com interpretações tão absurdamente ruins que não dá pra ver.
A primeira parte do filme (não cheguei às outras) chama-se Cães de Guarda e aparentemente pretende criar um paralelo entre os cães de verdade e os “humanos”: enquanto entre um baseado e outro uma dona de casa dá sonífero enrolado num bife para o cachorro do vizinho, uma moça que dormiu na casa de um ‘amigo’ tem o carro arrombado e o tocador de CDs roubado. Até aí já se passaram uns 20 minutos de filme, com poucos diálogos, muita nudez e muitas cenas no mínimo estranhas.
Existe um conhecido preconceito contra filmes brasileiros dentro do próprio país. Que o cinema nacional tem “putaria, palavrão e violência” demais. O Som ao Redor só faz reforçar essa ideia. Essa e a ideia de que o cinema nacional quer ser arte quando se pretende ser sério e acaba sendo chato e sem público. Novo reforço. O Som ao Redor é declaradamente um filme não comercial, difícil de ser assistido até por quem ignorar suas falhas. Não funciona, não engrena, não prende.
É bem nítido que a preocupação do diretor Kleber Mendonça Filho é enfatizar os tais ‘sons ao redor’ desde o início do filme. Mas parece que ao se preocupar tanto com isso, ele esqueceu-se de que os personagens precisam dizer coisas relevantes. Suas frases sem sentido, seus personagens rasos e seus atores tão inexpressivos que fariam Kirsten Stweart merecer um prêmio de melhor atriz acabam por constranger o espectador.
Ganhador de inúmeros prêmios em festivais (como melhor filme nos festivais de Gramado, Rio, Polônia, Copenhague, Sérvia, Prêmio Cinema Tropical e Mostra de Cinema de São Paulo), o filme parece ter sido sucesso unânime de crítica no Brasil. E foi pra isso que ele foi feito e este é seu público. É um filme para críticos, não para público. E estes parecem ter ignorado seus problemas. Não sou especialista, e você pode ou não confiar em minha opinião, pode muito bem pensar “mas quem esse cara acha que é pensando que sabe mais que os críticos e os festivais?”, claro, é um direito seu. Mas acredito que o cinema brasileiro pode produzir (e já produziu) coisas infinitamente melhores e menos pretensiosas.
Se ano passado chegamos a achar que o Brasil tinha alguma chance de figurar entre os finalistas à indicação de melhor filme estrangeiro no prêmio da academia americana de cinema com o ótimo e tocante O Palhaço, este ano podemos desde já ter certeza que não passará nem perto. Se bem que pensando nas demais possibilidades, acho que foi bem difícil escolher um filme que valesse a pena indicar. Vi poucos da lista, mas acho que mesmo o mediano Faroeste Caboclo, a inusitada animação Uma História de Amor e Fúria (que apesar de inusitada por ser animação bate nos clichês de ditadura e opressão que o cinema brasileiro tanto ama) ou o fenômeno Cine Holliúdi teriam sido escolhas melhores.
Saiba mais sobre O Som ao Redor e os demais concorrentes brasileiros AQUI.
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