Resenha do site #OscarEdition – 12 Anos de Escravidão

12yearsaslaveFaz alguns meses, desde sua estreia no festival de Telluride em agosto, que 12 Anos de Escravidão vem causando muito burburinho. Hoje, já próximo das indicações ao Oscar de 2014, ele é tido como presença certa entre os indicados em diversas categorias, inclusive despontando como favorito em várias delas. Inclui-se nas prováveis indicações as de melhor filme, ator, ator coadjuvante e diretor. Mas… o filme é tudo isso?

Pra dizer bem a verdade, não. O maior problema de 12 Anos de Escravidão é pecar pelo excesso. Se o diretor Steve McQueen há dois anos entregou um filme pequeno, enxuto e perturbador com Shame, desta vez deixou-se levar talvez pelo maior orçamento ou pela responsabilidade de fazer um filme que retratasse uma realidade que fazia parte de sua história e pesou na mão. O filme não é ruim, mas seus excessos incomodam.

Nas mãos de um diretor mais experiente no efeito chororô, talvez 12 Anos tivesse funcionado melhor. São vários os momentos “intimistas” que McQueen tenta (geralmente em vão) jogar na tela pra causar as lágrimas no espectador: longos takes nos olhos do protagonista, nas canções entoadas pelos negros, nas larvas que destroem a plantação… e por aí vai. Se o filme causa o nó na garganta desejado, é nos momentos pesados mas claros, de chibatadas dolorosas e literais, e não em devaneios pseudo-artísticos. Tudo é bem construído, da reconstituição da época aos figurinos e esses cortes incomodam.

Quanto aos atores, Chiwetel Ejiofor foi muito elogiado por sua atuação como o protagonista negro livre que é vendido como escravo e luta para provar e reconquistar sua liberdade. E ele realmente convence. Sem exageros e numa interpretação comedida, mostra a impotência diante da situação, ainda que não desista de sair dela. Neste ponto a culpa não é sua. Mas da artificialidade do texto de John Ridley que adaptou a autobiografia do protagonista. Ou talvez seja novamente do peso na mão do diretor. Ejiofor diz coisas num tom praticamente Shakesperiano, mesmo quando está entre escravos. A pomposidade de suas falas destoa do resto do que vemos na tela frequentemente. Ao contrário dele, Michael Fassbender, Sarah Paulson e Bennedict Cumberbatch entregam as melhores performances do filme com textos firmes e interpretações poderosas, que condizem com seus personagens.

McQueen demonstra com 12 Anos de Escravidão que tem talento para o drama histórico, embora às vezes perca o foco. Talvez devesse se inspirar mais em Steven Spielberg que sabe como ninguém o momento de entregar o lencinho pra platéia e deixar de tentar criar momentos que ao invés de intimistas se tornam pretensiosos e fora de contexto. Além de cortar o ritmo do filme em várias ocasiões. Pode-se contar outros problemas de 12 Anos, como sua confusa linha temporal ou a falta de explicação de alguns acontecimentos, mas o fato é que mesmo com tudo isso ele cumpriu seu papel: tem cara de filme feito pra premiações e nisso está sendo bem sucedido.

Porém, está longe de ser o melhor filme do ano. Não é melhor que Gravidade, por exemplo, outro dos favoritos. Mas é quem provavelmente vai ganhar o prêmio. É sabido desde sempre que a Academia gosta de algumas coisas que o diretor espertamente pôs na tela: dramas históricos, sofrimento dos negros, personagens reais que superam adversidades… tudo está ali. Assim como aconteceu recentemente com O Discurso do Rei (um filme do qual hoje ninguém se lembra), é muito provável que o “filme feito pra ganhar Oscar” cumpra sua função e vença os que realmente possam merecer o prêmio e que vão permanecer na memória do público por mais tempo. 12 Anos de Escravisão tem estreia prevista no Brasil dia 28 de fevereiro.

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