Resenha do site #OscarEdition – Frozen

frozen-poster-cast-newFazia algum tempo que a Disney patinava em suas animações para conseguir um verdadeiro sucesso de público e crítica. Sem a assinatura da parceira Pixar, nos últimos anos, produções como Detona Ralph e A Princesa e o Sapo não conquistaram muitos fãs e não foram exatamente sucessos. Enrolados conseguiu números expressivos de público, mas sem conquistar os críticos. Porém neste ano o mais tradicional estúdio de animações do cinema conseguiu derreter o coração do público (com o perdão do trocadilho).

A história da princesa que congela todo o reino e de sua irmã que luta para salvá-lo, livremente inspirada num conto de Hans Christian Andersen, bateu recordes mundo afora e garantiu o sucesso financeiro que o estúdio esperava há anos. Convenhamos: há anos a Disney não entregava um desenho tão bom.

Retornando aos clássicos musicais que produzia com esmero anos atrás, Frozen é uma aventura cativante e ágil. Personagens carismáticos e reais, ótimas músicas, história envolvente e visual espetacular. Tudo contribui para o sucesso merecido. Com o custo aproximado de $150 milhões de dólares, a animação já ultrapassou a marca de $600 milhões em bilheteria mundial. Só em seu final de semana de estréia no Brasil no último dia 3 de janeiro, levou 1 milhão de espectadores ao cinema, arrecadando quase 14 milhões de reis em bilheteria.

Parece exagero, mas o público demonstrou o quanto estava sentindo falta dos grandes clássicos do estúdio. Produções esmeradas e bem cuidadas como A Pequena Sereia, O Rei Leão, Aladdin ou A Bela e a Fera (primeira animação a concorrer ao Oscar de melhor filme) estavam na nossa memória e pediam para ser revividas. A Pixar bem fazia sua parte, entregando obras primas como Up, Ratatouille, Toy Story ou Wall-E, mas que, de certa forma ocupavam um lugar diferente em nosso coração.  E Detona Ralph ou Enrolados bem que tentaram, mas ainda não chegavam lá. Nas mãos da roteirista Jennifer Lee (a mesma de Detona Ralph) e do diretor Chris Buck (de Tarzan e Tá Dando Onda), uma produção caprichada e um elenco afiado e afinado mostram na tela um trabalho de encher os olhos e ouvidos.

Elsa, a princesa que possui o poder de congelar tudo o que toca (no original com voz de Indina Menzel, de Rent) é solitária e triste por não conseguir controlar sua condição; Anna, a irmã que pretende salvá-la e ao reino (voz de Kristen Bell, de Gossip Girl), é impetuosa e carismática; Kristoff, o pescador que irá ajudar Anna em sua empreitada (Jonathan Groff, de Glee), é forte e doce, como um bom príncipe de conto de fadas deve ser. Como não poderia faltar, no quesito “bichinho fofinho”, Frozen tem Olaf (voz no original de Josh Gad, de Jobs, e no Brasil estragado dublado pelo humorista Fábio Porchat*), que dá o tom cômico da aventura sem exagerar. Infelizmente no Brasil o desenho estreou com somente UMA cópia legendada. Então quem quer ouvir as vozes originais terá que esperar o lançamento em home vídeo.

É bem verdade que em diversos momentos Frozen lembra outras produções de animação: seu início é semelhante ao de O Príncipe do Egito, seu vilarejo parece em muito com a Paris de O Corcunda de Notre Dame ou a cidade de A Bela e a Fera e sua mocinha tem suas semelhanças com a Rapunzel de Enrolados. Mas nem por isso, ou talvez justamente por causa disso, ele é um desenho menos merecedor de mérito. Bem roteirizado, com ótimos diálogos e ótimas piadas, Frozen em momento nenhum perde o ritmo, mesmo quando entrecortado pelas músicas nas vozes excepcionais das protagonistas, em especial de Indina Menzel, que já tinha soltado a voz na adaptação cinematográfica do sucesso da Broadway Rent e aqui traz o que talvez seja o melhor número musical de uma produção da Disney desde That’s How You Know, de Encantada em 2007: Let it Go. A música tema do filme, séria candidata ao Oscar de melhor canção e também interpretada por Demi Lovato, é forte, gruda como chiclete e tem por trás um dos maiores nomes da Disney nas trilhas sonoras: a composição de todas as músicas é de Alan Menken, o mesmo dos já citados clássicos Aladdin, A Bela e a Fera, A Pequena Sereia, O Corcunda de Notre Dame, entre outros.

Por essas e outras Frozen se tornou um fenômeno do cinema neste ano: foi um dos (maiores) responsáveis pelo recorde de arrecadação da Disney em 2013 – que bateu os 4 bilhões de dólares; é hoje a segunda maior bilheteria do estúdio – atrás apenas de O Rei Leão (U$952 milhões) – e continua em cartaz; está em praticamente todas as listas como a melhor animação de 2013 e é quase certo que leve o Globo de Ouro e o Oscar na categoria (mesmo porque não tem concorrentes à sua altura). Um desenho sem dúvida nenhuma bonito e cativante, inocente e singelo, que nos traz de volta ao passado e faz jus ao nome de clássico da Disney.

* Sobre a dublagem de Fábio Porchat, já se sabe que a Disney Brasil estava com uma dublagem pronta e paga, feita por um profissional (Gustavo Pereira), mas logo antes da estreia nos cinemas brasileiros resolveu descartá-la e substituir por alguém que, em sua concepção, sera chamariz de público. Desnecessário lembrar do fiasco que foi quando decidiram colocar Luciano Huck para dublar o personagem principal de Enrolados, criando o maior erro e o maior fiasco da história das animações no Brasil.

3 comentários

  1. Achei que a voz de Fábio Porchat até que assentou bem no personagem, e afinal de contas, nada pode jamais superar a desgraça que foi colocarem o Luciano Huck, um apresentador de TV, como dublador. As pessoas estudam para fazer dublagem, é uma profissão! É uma babaquice ceder espaço à pessoas que não estão qualificadas, apenas por questões comerciais.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s