Uma pequena análise sobre os filmes de super-herói e seus coadjuvantes

Por Flávio St Jayme

É engraçado de ver como os filmes de super-heróis ao longo dos tempos se cercam de atores bons e reconhecidos ao redor de um ator principal geralmente pouco conhecido e nem sempre de muito talento.

É comum vermos gente indicada ou ganhadora do Oscar como o agente, o melhor amigo, o pai ou mesmo o vilão. Enquanto o herói em si é um ator em começo de carreira. Não é difícil encontrar exemplos, desde os primeiros Batmans de Tim Burton.

Em 1989 Tim Burton dirigia o primeiro filme do Batman com Michael Keaton no papel principal. Keaton já vinha de uma longa carreira na TV, mas no cinema ainda não tinha feito grande sucesso. Ao seu lado, atores do calibre de Kim Basinger e Jack Nicholson. Três anos depois Keaton retornaria ao papel de Batman cercado por Michelle Pfeiffer, Dani De Vito e Christopher Walken.

alfred

Nos próximos Batmans, Val Kilmer e George Clooney usaram a roupa do morcego. Ambos começando no cinema, com Clooney vindo de um sucesso na TV com a série Plantão Médico. Ao seu lado gente consagrada novamente: Tommy Lee Jones, Nicole Kidman e Jim Carrey (em Batman Eternamente) e Arnold Schwarzenegger, Uma Thurman e Michael Gough (em Batman & Robin).

batmanreturns vilains

De lá pra cá a tendência só se repetiu. Agora com os filmes de super-heróis se tornando um gênero à parte, somente a nova trilogia do Batman, dirigida por Christopher Nolan fugiu um pouco à regra. Trouxe um ator consagrado já no papel principal: Christian Bale já tinha sua carreira consolidada no cinema e entre um filme do Batman e outro teve indicações ao Oscar. Mas não abriu mão dos coadjuvantes de luxo: Gary Oldman, Michael Caine, Morgan Freeman, Liam Neeson, Tom Wilkinson, Heath Ledger, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Tom Hardy e Joseph Gordon-Levitt. Todos eles com carreiras  estáveis no cinema e muitos deles com passagem pelo Oscar.

nolan

Superman não ficou de fora: em 2006 colocou o desconhecido Brandon Routh no papel do homem de aço. Ao seu lado, a competência de Kevin Spacey e Frank Langella não foram suficientes para disfarçar a pouca qualidade do filme, que passou a ser ignorado e envergonhado. Sete anos depois um novo desconhecido colocou o uniforme azul, desta vez sem a cueca vermelha por cima da calça: Henry Cavill. Nos papéis coadjuvantes novamente gente que passou pelo tapete vermelho da Academia: Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Diane Lane e Russell Crowe.

superman

Homem Aranha também: na nova trilogia, o desconhecido Andrew Garfield foi picado pela aranha. À sua volta estavam Sally Field (vencedora de 2 Oscars), Emma Stone (indicada ao Globo de Ouro) e Martin Sheen (ganhador do Globo de Ouro). Na sequência este ano estreia uma nova aventura do aranha, com mais gente de peso nos coadjuvantes: Jamie Foxx (vencedor do Oscar) e Paul Giamatti (indicado ao Oscar).

spiderman

A Marvel não deixou por menos e todos  os seus filmes da saga de Os Vingadores seguem a mesma fórmula. Novamente com exceções a esta regra.

Em 2003 o diretor Ang Lee trazia um ainda novato Eric Bana na pele do monstro verde. Nick Nolte, Sam Elliott e Jennifer Connelly faziam par.  Cinco anos depois uma tentativa de relançar o herói no cinema num filme que seria melhor repetiu a fórmula, mas desta vez com um ator já consagrado no papel principal: Edward Norton, cercado por caras conhecidas como Liv Tyler, William Hurt e Tim Roth.

hulk

Thor foi pelo mesmo caminho: um diretor reconhecido (Kenneth Brannagh), um protagonista anônimo e sem muito talento (Chris Hemsworth) e coadjuvantes oscarizados. Natalie Portman e Anthony Hopkins já haviam ganhado seus prêmios antes do filme de 2011. Capitão América também: o desconhecido Chris Pine se cercou de gente conhecida: Hugo Weaving, Tommy Lee Jones (novamente) e Stanley Tucci.

thor

Já Homem de Ferro partiu de um ponto diferente: trouxe para ser seu protagonista um ator já reconhecido, porém com a carreira estagnada por conta de conflitos pessoais: Robert Downey Jr que já havia sido indicado ao Oscar duas vezes. Com ele no elenco do filme estavam: Gwyneth Paltrow (já vencedora do Oscar), Jeff Bridges (Oscar posterior a Homem de Ferro), Don Cheadle (indicado), Mickey Rourke (indicado) e Scarlett Johansson (4 indicações ao Globo de Ouro). Apenas mais uma das semelhanças entre as trilogias do Homem de Ferro e do homem morcego.

ironman

No caso dos mutantes de X-Men, eles foram crescendo com o tempo. Em 2000, quando o primeiro filme saiu, somente Ian McKellen possuía passagem pelo tapete da Academia no elenco, com uma indicação em 1999 e Patrick Stewart tinha duas indicações ao Globo de Ouro. Depois os atores foram ganhando Oscars e indicações: Halle Berry (vencedora em 2002), Ian McKellen (novamente indicado em 2002), Hugh Jackman (vencedor em 2013), Jennifer Lawrence (vencedora em 2013) e Michael Fassbender (indicado em 2014). Hoje, com o filme novo para estrear neste ano e seis filmes depois, boa parte do elenco principal já tem passagem pelo Oscar.

xmen

Faz algum tempo que revejo essa tendência, que parece uma constante. nos filmes que estão por vir elas parecem seguir: no novo Capitão América e no filme que unirá Superman e Batman, que trará Ben Affleck depois de sua ressuscitada no cinema e de um Oscar de melhor filme e coadjuvantes do peso de Jesse Eissenberg e Jeremy Irons, ambos com passagem pelo Oscar.

Isso é bom de ver. Um filme todo focado em um ator nem sempre de qualidade (Brandon Routh e Chris Hemsworth que o digam) precisa de um back-up de peso. Não há como se sustentar somente em músculos e efeitos. Por mais que eles geralmente sejam subaproveitados. O que acaba acontecendo às vezes também com os diretores: Kenneth Brannagh por exemplo foi consumido por Thor e o filme não carrega nem um segundo de suas qualidades na direção já vistas em obras primas como Hamlet. Ou Ang Lee transformando Hulk em um monstro de chiclete de menta.

Pressões de estúdio, escolhas pessoais, para agradar o público ou a crítica. Não dá pra concluir exatamente quais as razões das escolhas. O que importa é que atores de calibre dão embasamento e qualidade para os filmes. Nem todos serão obras primas, nem todos se tornarão clássicos, vários serão descartados. Assim como seus atores principais depois da ascensão destes filmes. Enquanto seus coadjuvantes estão aí há anos (alguns deles), sendo premiados.

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