O período da Inglaterra Vitoriana já foi (e ainda será) muito explorado no cinema e na TV. São incontáveis os exemplos. Bons e ruins. As descobertas científicas, o mundo steampunk, a eletricidade surgindo, a escuridão e podridão constante e, claro, os crimes. Talvez uma das mais populares e recentes viagens por este mundo esteja em A Liga Extraordinária. O filme de 2003 pode não ser a melhor coisa feita pelo cinema, mas ao adaptar a HQ de Alan Moore, foi um dos primeiros a misturar elementos de diferentes histórias na tela grande.
E Penny Dreadful, série de oito episódios alardeada que estreou no canal americano Showtime nos Estados Unidos no último dia 11, traz muitos destes elementos e muitas semelhanças. Se lá uma liga de heróis conhecidos da literatura (como Dorian Gray, Capitão Nemo e Dr. Heckyl) se unia para enfrentar um vilão, aqui é o contrário.

A coisa toda começa como uma caça a vampiros. O milionário Sir Malcom (Timothy Dalton, quanto tempo) está em busca de sua filha, raptada por “criaturas” estranhas, que logo descobrimos serem vampiros. Em sua casa vive a médium Vanessa Ives (Eva Green), que ao seu lado busca a garota perdida. Logo será escalado o americano bom de tiro Ethan Chandler (Josh Harnet) para o time e a caça aos vampiros começará.
Até aí, afora a espetacular direção de arte e os imponentes diálogos (escritos por John Logan, o mesmo de Skyfall ou Hugo Cabret) parece que teremos apenas mais do mesmo. Como uma espécie de True Blood (mas sem a pataquada romântica), Penny Dreadful vai desenvolvendo seu primeiro episódio em torno da caça aos vampiros e do ataque destes a inocentes. Citações a Jack Estripador já começam a aparecer, uma das figuras mais clássicas desta época e a belíssima produção de Sam Mendes parece patinar no lugar comum.
Mas foi dito que um time de gente famosa se uniria. Como em A Liga Extraordinária ou um Once Upon a Time do mal e para adultos, veremos vampiros, lobisomens e toda a variedade de monstros clássicos, incluindo o monstro do Dr. Frankenstein. O objetivo principal parece ser o resgate da pequena Mina, mas já dá pra perceber que muito mais virá pela frente, inclusive com participação de Dorian Gray. A primeira tentativa de resgate deixa bem claro que nada será tão simples. E que muito sangue e muitos sustos irão desfilar pela tela.
“Penny Dreadfuls” eram revistinhas em forma de folhetins de muito sucesso na Grã-Bretanha do século XIX com histórias de terror em série. A série respeita sua descendência e entrega um terror puro, sem disfarces ou distrações. Não existe (ao menos ainda) um romance paralelo, um inocente mal compreendido. Todos ali apresentam de cara seus objetivos e, pelo menos aparentemente, de que lado estão jogando.
Ao final do primeiro episódio vemos uma força sobrenatural agir sobre Vanessa Ives e percebemos que a série pode e provavelmente irá crescer de forma exponencial numa descida vertiginosa ao terror de verdade (que andava fazendo falta, aliás). Sem disfarçar de aventura, de comédia, de briga de castas ou de seriado de investigação, Penny Dreadful entrega um terror puro e simples. Muitas perguntas ficam no ar e o seriado consegue manter durante o episódio o clima certo, com cenografia e monstros mais que adequados. Só existem dois problemas…
Quem assistiu Sin City vai reconhecer as mesmas caras e bocas do ineficiente Josh Harnet, que prova aqui que não sabe atuar. Assim como Eva Green. A atriz já demonstrara sua inaptidão para a coisa em filmes como Sombras da Noite e 300, e aqui entrega a mesma personagem com ar contido prestes a explodir que nos filmes citados.
É bem verdade que em determinado momento as fracas atuações dos dois deixam de importar, principalmente quando eclipsadas por Timothy Dalton em segundos ou diante da reconstrução de uma Londres suja e esfumaçada e do texto forte, ainda que saído da boca de atores fracos.
Penny Dreadful tinha então tudo para ser um seriado excelente. É essa a impressão que dá após este primeiro episódio. A vontade de ver o crescimento da história, o surgimento de novos personagens e o desenvolvimento histórico é grande. Não fosse a falta de vontade do casal principal, seria realmente excelente. Mas fica no bom. É muito bom e dá vontade de ver mais, de entrar na história, com certeza, mas poderia ser melhor.
Penny Dreafdul estreia no Brasil dia 13 de junho pela HBO. Veja abaixo o trailer:

Eu realmente gostei da série, eo que eu mais aprecio sobre isso é a caracterização e todo o trabalho de atmosfera visual e musical. Embora isso me assusta a verdade é que ele é muito bom.