Resenha do site: Transcendence – A Revolução

Transcendence-cartazHouve uma vez um tempo em que o grande medo da humanidade era com a guerra fria. Filmes falavam disso, livros falavam disso. As ameaças foram mudando. Hoje o medo é das armas biológicas (que invariavelmente transformarão a todos em zumbis) e da tecnologia. Não é exagero dizer que hoje somos reféns da tecnologia e que o pensamento de alguns que um Hall 9000 pode ser uma espécie de ‘Deus’ que controlará a todos pode não estar muito longe.

Estamos todos conectados o tempo todo. Seja em computadores, smartphones, usando redes sociais, caixa eletrônicos, fazendo check-in em hotéis. Tudo nos liga a um grande centro de informações. E é justamente esta falta de privacidade que estimula um desses medos modernos. E se alguém conseguisse nos controlar e seguir utilizando estes meios, seria possível? E se um computador ganhasse consciência e decidisse tomar o controle da humanidade se valendo, também, destes meios?

A grande premissa de Transcendence – A Revolução é mais ou menos esta. Um brilhante cientista que estuda e propõe a criação de uma máquia-mãe, capaz de controlar tudo é assassinado por um grupo de rebeldes contra as evoluções tecnológicas (daqueles que se orgulham de bater celulares no liquidificador e não usar internet). Sua esposa então decide implantar na máquina a consciência do marido, tendo assim uma forma de mantê-lo “vivo”. Claro que as coisas não tardarão a sair do controle e as discussões éticas vão deixar o público com o cérebro fritando.

Até que ponto este controle é benéfico? Até que ponto vale “brincar de Deus”? Quem é o bem e quem é o mal nessa história? Sim, ficaremos divididos no que diz respeito a para quem torcer. Nos afeiçoamos ao cientista, interpretado com eficiência por um Johnny Depp mais normal que de costume. Achamos as traições um absurdo. Apoiamos sua esposa (a excelente Rebecca Hall). Abominamos os rebeldes extremistas (liderados por Kate Mara). Mas quem está certo e quem está errado? Tudo acaba tomando um rumo tão surpreendente e ao mesmo tempo tão esperado que em determinado momento não sabemos mais de que lado estamos.

Transcendence não é um filme perfeito. Tem lá seus probleminhas de ritmo. Contando ainda com Paul Bettany, Cillian Murphy e Morgan Freeman no elenco, a estreia no roteiro de Jack Paglen e na direção de Wally Pfister (diretor de fotografia dos filmes de Christopher Nolan e vencedor do Oscar na categoria por A Origem) nos entrega um filme redondinho, recheado de questões que nós mesmos poderíamos ter proposto e pensado a respeito, se é que já não o fizemos. Novamente, a maior questão aqui é a discussão ética. Pode um computador controlar tudo? Será que já não controla? Será que de alguma forma já não somos controlados pela tecnologia? Isso é o que mais impressiona no filme. Sem maniqueísmos ou didatismos, ele consegue nos fazer pensar.

Um roteiro inteligente, um filme bem feito, atores ótimos em suas performances, efeitos que trabalham em favor da história. Hoje em dia é muito mais fácil um filme nos emburrecer do que nos fazer pensar. E Transcendence consegue a façanha de terminar e nos deixar sentados na cadeira do cinema questionando o que ele acabou de mostrar. Quem estava certo e quem estava errado? Será que, no fim das contas, o mundo será salvo por um bando de rebeldes extremistas? Será que os cientistas chegarão ao ponto de enlouquecer? Como um filhote de 2001 com A Origem, o filme feito pelo diretor estreante é uma excelente surpresa e dos mais inteligentes dos últimos tempos. E que, justamente por isso, pode não agradar a muita gente. É daqueles que dá vontade de sentar e ver de novo em seguida, pra ver se conseguimos apagar todas as interrogações impressas na nossa testa.

 

3 comentários

  1. Completam o elenco Kate Mara, Paul Bettany, Cory Hardrict, Cole Hauser, Cillian Murphy e Morgan Freeman. Este thriller de ficção científica mais de 100 minutos, eu gostei. Transcendence é um filme estranho e muito futurista que eleva a curto prazo um futuro muito sombrio para toda a humanidade. A coisa interessante sobre este filme é o debate e o dilema moral que surge quando se discute os limites da ciência e tecnologia. Transcendênce é o primeiro filme que fez Wally Pfister, diretor de fotografia de quase todos os filmes de Christopher Nolan.

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