Resenha do site #Oscar2015 – O Jogo da Imitação

o jogo da imitacaoAlan Turing não é um herói de guerra reconhecido. Sua história permaneceu oculta pelo governo britânico por mais de 50 anos e somente hoje seu nome aparece. Por quê? Porque o que Turing fazia era segredo, na vida profissional e pessoal.

Em O Jogo da Imitação, o personagem é vivido pelo ator Benedict Cumberbatch, conhecido pelo papel título na série Sherlock da BBC e por sua voz grave e porte altivo. Como era de se esperar, Cumberbatch promove um espetáculo particular em sua interpretação do matemático Turing, homem brilhante mas com problemas sérios de relacionamento. Na história, baseada em fatos reais e na biografia de Turing escrita por Andrew Hodges, ele passa a trabalhar em segredo para o governo britânico durante a Segunda Guerra Mundial para desvendar o código de encriptação de uma máquina utilizada pela Alemanha para transmitir mensagens e instruções de guerra. Parece complicado, mas não é.

O foco aqui não é a guerra, ou os intrincados códigos a serem descobertos. Eles estão ali como pano de fundo para contar a impactante história do personagem que passou anos como vergonha nacional britânica. Em sua vida Turing foi acusado de muitas coisas, entre elas arrogante, metido e egocêntrico. Se estas acusações (reais) parecem não afetá-lo, é a acusação (também real) de sua homossexualidade a responsável por destruir sua carreira e sua vida. Na época ser homossexual não era apenas mal visto, era crime punido com cadeia ou castração química. Somente em 2013 ele recebeu o “perdão real” do governo britânico.

Um apaixonado pelo seu trabalho e pelos enigmas cotidianos, Turing vai descobrindo ao longo do filme que as relações pessoais também são importantes. Que sem amigos ou apoio fica bem difícil construir as coisas. É aí que a beleza e simpatia de Keira Kneightley (de Desejo e Reparação Piratas do Caribe), a presença forte de Mark Strong (de Kick AssSherlock Holmes, o filme) e os brilhantes olhos e o sorriso irônico de Matthew Goode (de WatchmenDireito de Amar) entram em cena. Todos acabarão por tomar partido do esquisito Turing em seu projeto louco de construir uma máquina inteligente o suficiente para quebrar o código da Enigma, a máquina utilizada pelos alemães. Diz-se que foi graças à máquina construída por eles que a guerra foi vencida, que sem a máquina os conflitos poderiam ter se estendido por mais dois anos com resultados incertos. Foi graças aos códigos desvendados pela Christopher (o gigantesco cérebro eletrônico) que a invasão da Normandia (por exemplo) foi possível, já que a decodificação das mensagens alemãs permitia aos aliados da Grã-Bretanha antecipar seus ataques. 
Entre flashbacks conhecemos a história do pequeno Alan Turing na escola, demonstrando seus primeiros sinais de problemas psicológicos e sua primeira paixão por um colega. Ali descobrimos muito do que moldará o comportamento do adulto e muito do que fará dele o brilhante matemático que se torna. Turing, um sujeito que, apesar de esquisito era extremamente pacato e não acreditava na violência (ou na guerra), se vê no meio de uma briga de poder, com muita gente querendo seu pescoço por conta de sua arrogância. E, apesar desta arrogância declarada e talvez graças ao talento de Cumberbatch, em momento algum deixamos de simpatizar com o personagem. Talvez por conhecermos seu destino triste e solitário, que não é segredo para quem vai ver o filme. Seja qual for o motivo, o personagem é capaz de nos levar em uma jornada que mistura pitadas de suspense e comédia num filme emocionante, poderoso e impactante, que pode até render um nozinho na garganta no final. 
Filme de estreia em Hollywood do diretor Morten Tyldun, que em 2012 realizou o elogiado HeadhuntersO Jogo da Imitação teve seu roteiro (escrito pela estreante Graham Moore) disputado entre diversos estúdios e acabou gerando aquele que é, sem dúvida alguma, um dos melhores filmes da temporada de prêmios americana e que mostra, mais uma vez, que Benedict Cumberbatch é um dos melhores atores de sua geração. 

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