Três séries que ninguém falou a respeito. Mas que você PRECISA assistir

Histórias de suspense que prendam o espectador de verdade com uma trama intrigante e inteligente não são exatamente fáceis de se construir. Salvo alguns seriados que fizeram história entre altos e baixos (Lost, Cold Case…) e outros que estão no ar no momento e são bastante falados (Bates Motel, Hannibal, Under the Dome…) hoje em dia os canais mais erram que acertam (The Leftovers, The Returned, Resurrection, American Horror Story…). Então por que levar em conta justamente três séries que ninguém falou a respeito no meio de tanta coisa que “bomba” por aí? Bom, é apenas a minha opinião, mas Dig, The Lizzie Borden Chronicles e Secrets & Lies são três das melhores séries que pintaram no ar este ano: inteligentes sem ser estapafúrdias, tensas sem serem exageradas e com ótimos texto, roteiro e atuações. Além de uma ou outra grifezinha, vá lá.

Secrets and Lies

Criada por Barbie Kligman, que já foi produtor executivo de CSI:NY, Private Pactice e Vampire DiariesSecrets and Lies conta a história de um pai de família que durante uma corrida matinal encontra o corpo de um garoto de cinco anos nas proximidades de sua casa. O garoto é filho de uma vizinha e todos na vizinhança parecem se dar muito bem. Até que ele, que encontrou o corpo, se torna o principal suspeito do assassinato.

Remake de uma série australiana de mesmo nome, Secrets é encabeçado por Juliette Lewis e Ryan Phillippe. Lembra deles? Os dois foram grandes nomes do cinema nos anos 90. Ela ficou conhecida por filmes como Assassinos por Natureza, Simples Como Amar, Um Drink no Inferno Gilbert Grape. Ele, astro de filmes adolescentes, desfilou seus cachinhos loiros em produções como Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, Segundas Intenções, Studio 54 Corações Apaixonados. Hoje com 40 anos (mas estampando a mesma cara de quando tinha 20), Phillippe é Ben, o pai de família que encontra o corpo do garoto. Em um casamento que está descambando para o fim e pai de uma adolescente e uma menina mais nova, Ben se vê jogado no meio da confusão com sua vida pessoal e profissional arruinada e forçado pela detetive Cornell (Lewis) a rever suas ações da noite anterior.

Muito semelhante ao filme Garota Exemplar, o seriado joga com o espectador o tempo todo. Ben tem certeza de sua inocência. Mas não muita. Suspeitos parecem surgir a todo o tempo, mas porque a detetive o persegue? O circo da mídia é montado em frente sua casa e ele não consegue dar um passo para fora da porta sem que as câmeras de TV o gravem. Assim como no filme, vamos acreditando no que o roteiro quer que a gente acredite, ficando cada vez mais tensos e torcendo por aquele protagonista que nem mesmo temos certeza de ser inocente.

Em 10 episódios a história se desenrola e se fecha, sem que fiquemos imunes à raiva que sentiremos por uns e à simpatia que sentiremos por outros. Já renovada pela ABC para a segunda temporada, a série trará Lewis de volta no papel da detetive Cornell investigando outro crime, desta vez sem Phillippe e a família no elenco.

Dig

Criada por Tim Kring, de Heroes e  da futura Heroes Reborn, e Gideon Raff (de Homeland), Dig é uma série mais complicada que envolve conspirações religiosas e apocalipse. Mas nem por isso menos interessante. Um funcionário do FBI em Jerusalém conhece uma moça que lembra sua filha que se suicidou não muito tempo atrás. Atraído por esta moça, ele passa a ter uma relação meio paternal meio sexual com ela, até que ela aparece morta e ele começa a investigar as causas de seu assassinato. No meio das investigações acaba por descobrir uma conspiração religiosa que data de mais de 2 mil anos atrás para “causar” um apocalipse e renovar a Terra.

Veja as renovações e cancelamentos da temporada

Escavações arqueológicas, seitas religiosas e perseguições darão o tom de Dig, que não vai se preocupar muito em dar longas explicações sobre seus atos, mas vai jogar o espectador no meio da confusão de um rapaz judeu protegendo uma vaca sem saber porquê, um menino sendo criado dentro de uma fortaleza sem poder sair e ladrões que roubam pedras preciosas e destroem monumentos históricos. É complexo? Sim. E vai exigir um pouco da mente de quem assiste. Mas nem por isso menos emocionante e divertido.

Com elenco encabeçado por Jason Isaacs (que você não vai reconhecer, mas é o mesmo ator que interpretou Lucius Malfoy, o pai de Draco Malfoy na série Harry Potter), Anne Heche (de VolcanoEu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado) e Ori Pfeffer (de Munique), a série consegue manter o suspense do início ao fim mesmo com sua trama complexa e suas várias histórias que, invariavelmente, vão se juntar. Peter, o detetive interpretado por Isaacs, vai perseguir suas pistas até as últimas consequências, aprendendo a resolver suas diferenças com o detetive local Golan (Pfeffer) e com sua chefe com quem tem um relacionamento (Heche).
Não é difícil intuir o final da história, é verdade, mas algumas surpresas, uma trama eletrizante e episódios de prender o fôlego fazem da série do USA uma das ótimas pedidas da temporada. O fato de ser uma produção curta, de apenas 10 episódios, também não deixa espaço para muita enrolação. Ainda não há notícias sobre sua renovação.
The Lizzie Borden Chronicles
Em 1982 Lizzie Borden foi acusada de assassinar a machadadas o pai e a madrasta. Ao todo com 41 golpes (40 na madrasta e 1 no pai), a moça de 32 anos foi julgada e absolvida, mas o caso permaneceu sem explicação. Ninguém nunca soube quem de fato matou o casal e Lizzie permanece como suspeita, mesmo após ser absolvida.
No ano passado o canal Lifetime transformou sua história em um filme para TV, Lizzie Borden Took an Ax, da mesma forma como aconteceu na vida real: com Lizzie sendo absolvida. Agora o canal traz uma série que fantasia sobre o futuro de Lizzie. Como assassina.
Christina Ricci (de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, O Oposto do Sexo e Família Adams) é a protagonista de The Lizzie Borden Chronicles, a minissérie que imagina como foi o futuro de Lizzie após o julgamento.
Sendo apontada na rua, com pessoas fugindo dela, Lizzie vive com a irmã Emma (Clea DuVall, de Identidade, Argo Garota, Interrompida) em Fall River, Massachutes, na Nova Inglaterra pertencente aos Estados Unidos em 1892. Ali ela tenta reconstruir a vida após a tragédia, sem demonstrar muito luto, é bem verdade. Diante de uma dívida imensa que o pai deixou para ambas, elas temem perder tudo o que possuem, inclusive sua casa e status. Não tarda para Lizzie encontrar a solução perfeita: matar o homem que diz ter direito ao que é delas por conta das dívidas do pai. Sim, Lizzie, segundo a série, não é nem um pouco inocente.
O detetive Charlie Siringo (Cole Hauser, de Transcendence e Duro de Matar: Um Novo Dia Para Morrer) chega ao local para averiguar a atestada inocência de Lizzie e começa a mexer em pistas e fios soltos dos rastros de sangue da moça. A trama de terror e detetive se estende em episódios que misturam tensão com humor em uma direção rápida e modernosa.
Também mesclando o visual de mais de 100 anos atrás (roupas suntuosas, charretes e lampiões) à edição rápida, estão as músicas. Todas contemporâneas, ouvimos rock, hip hop e até mesclas de faroeste moderno na trilha sonora bem alocada que, se no início causa algum estranhismo, rapidamente nos ajuda a entrar no clima do programa.
Atriz de um talento extremo, Christina Ricci empresta seus olhos grandes e sua cara de “juro que não sei do que você está falando” à personagem e nos deixa no dilema de torcer por uma assassina. Afinal, ela deve ter seus motivos para fazer o que faz, não é mesmo?

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