Resenha do site: A Forca

a forcaOs filmes de terror estão na moda: Sobrenatural, Invocação do Mal, Atividade Paranormal, Poltergeist, A Entidade, Annabelle, O Espelho, Ouija, Jessabelle… todos são filmes ou franquias que chegaram aos cinemas há poucos anos e a maioria deles carrega um denominador comum: a produtora Bluhmouse.

Catapultada para a fama com filmes de baixo orçamento como alguns dos citados acima e, especialmente Uma Noite de Crime que se tornaram fenômenos de bilheteria, a produtora de Jason Blum cresceu investindo na inovação e caiu na repetição. Hoje em dia, com exceção deste último citado, é difícil diferenciar um filme do outro, embora todos mantenham certa qualidade. O frescor de ideias acabou se esgotando dentro de um círculo vicioso de maneirismos e todos os filmes acabaram por cair em uma repetição de si mesmos. Novamente, com exceção do excelente Uma Noite de Crime e sua continuação. Outros procuram trazer um frescor ao gênero e não passam de filmes medianos superestimados pela crítica. Caso de produções como Babadook ou A Corrente do Mal.

Mas eis que, reciclando uma ideia já usada à exaustão no cinema, a produtora consegue inovar novamente. Lá em 1999 A Bruxa de Blair, hoje um clássico do terror moderno, inventou o found footage. A ideia era, basicamente, a de uma fita (ou arquivo) encontrada após acontecimentos terem feito vítimas fatais que não estão mais ali pra contar a história. De lá pra cá foram inúmeros filmes que repetiram a fórmula, com mais ou menos eficiência. Filmes como Assim na Terra Como No Inferno, REC, Abismo do Medo, Projeto Almanaque, No Olho do Tornado ou Cloverfield copiaram o found footage em menor ou maior nível, criando filmes díspares em qualidade e público.

Mas então A Forca é só mais um desses? Bom, você pode enxergar assim. Ou pode enxergar como uma forma totalmente nova de ver os filmes do gênero. Sim, tudo se desenrola em uma filmagem caseira feita por um adolescente com sua câmera digital e seu iPhone. Vemos boa parte do filme sob o ponto de vista de seus protagonistas a partir das imagens registradas em um arquivo “encontrado pela polícia” (como bem nos ensinou A Bruxa de Blair mas ninguém conseguiu repetir sua eficiência numa era pré-redes sociais, este tipo de filme deve fazer o espectador crer que tudo foi real). Desta vez acompanhamos a história de Reese, Pfeifer, Cassidy e Ryan: quatro estudantes de high school que se envolvem na produção de uma peça de teatro com passado sombrio. Vinte anos atrás, a peça A Forca foi encenada no colégio com um final desastroso: uma encenação de um enforcamento acabou com a morte real de um dos alunos participantes. Desde então a peça não foi reencenada novamente e agora, como “celebração” dos 20 anos da tragédia, os alunos decidem montá-la novamente. Claro que tudo sairá do controle.

the gallows

Os quatro jovens (que utilizam seus nomes reais no filme) vão se envolver num mistério cercando Charlie: o protagonista morto no passado, que não deve ser “invocado” dentro do teatro. Tudo com muitas aspas, note. A artimanha de contar com atores desconhecidos, aliás, é um dos recursos mais utilizados nos found footages, já que torna a coisa toda ainda mais real, pois não estamos vendo astros do cinema, estamos vendo “gente de verdade”.

Muitos sustos de pular da cadeira e cenas angustiantes de prender a respiração fazem de A Forca um bom exemplar do gênero. Mas afinal, por que ele se destaca no meio de tantos? Simples: ao confinar os quatro jovens dentro de um único ambiente (a escola) em um espaço de tempo contínuo (é apenas uma filmagem ao invés de várias fitas, como geralmente acontece), o filme dá um ar meio hitchcockiano para a história. O fato de ter um teatro e uma forca envolvidos na tensão crescente praticamente evoca o clássico Festim Diabólico do mestre do suspense (guardadas as devidas proporções, é claro).

Com uma dupla de diretores e roteiristas desconhecidos e estreantes (Travis Cluff e Chris Lofing), um elenco também desconhecido (Reese Housler, Pfeifer Brown, Ryan Shoos e Cassidy Gifford) e um orçamento baixíssimo (o filme custou 100 mil dólares e até o último final de semana já tinha rendido mais de 23 milhões de bilheteria em menos de duas semanas em cartaz), Jason Blum repete a fórmula que fez seu sucesso: uma ideia original ou repaginada, feita de forma barata, transformada em fenômeno da internet antes mesmo do lançamento do longa (quem não viu os vídeos envolvendo Charlie sem saber que se tratava de uma propaganda de um filme?) e um filme eficiente que deve atrair muito público para o cinema. Foi assim com Atividade Paranormal (custo de 15 mil dólares e bilheteria mundial de mais de 190 milhões), foi assim com Uma Noite de Crime (custo de 3 milhões de dólares e bilheteria mundial de 90 milhões) e com certeza será assim com A Forca. E neste caso, como nos outros, vale a pena.

Um comentário

  1. Não acho que filmes de terror estão na moda, são lançados um ou outro ( a maioria sofrível e muito ruim, muito deles citados no inicio da resenha). O que percebo é q as produções de terror ainda estão na ressaca do ‘found-footage’ que já está repetitvo e chato demais. Há ainda algumas produções sobre casas mal-assombradas (muito por causa de “Invocação do Mal”) que também são bem risíveis. Enfim, o único que assisti e adorei até agora é CORRENTE DO MAL.

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