Resenha do site – A Travessia

a travessiaPhilippe Petit era, por si só, um personagem. O francesinho afetado e inquieto traçou seu próprio destino quando criança e criou para si um sonho. Sua façanha ganharia o mundo. E sua vida viraria filme.

Não é difícil embarcar no sonho de Petit. Pelas mãos sempre hábeis de Robert Zemeckis, diretor responsável por clássicos do cinema como a trilogia De Volta Para o Futuro, Forrest Gump e Náufrago, a história do maior feito de Petit ganha vida. E que vida!

A Travessia, que estreia dia 8 de outubro no Brasil, conta a história de como este homem, aparentemente sem muito futuro pela frente, virou notícia no mundo todo. Interpretado com leveza e desenvoltura por Joseph Gordon-Levitt (de 10 Coisas Que Eu Odeio em Você, A Origem, (500) Dias Com Ela e O Cavaleiro das Trevas Ressurge), Philippe Petit se constrói perante nossos olhos como um homem sonhador que não tem medo de ir em busca de seu sonho maior. Enquanto criança, ele descobre as maravilhas de se equilibrar na corda bamba. Aprende com um circo e quando vê um anúncio num jornal, descobre o que realmente quer fazer: o ano é 1974 e as duas torres gêmeas do World Trade Center estão em construção. É ali que Petit decide esticar sua corda para atravessar, do alto de 110 andares no coração de Nova York.

A loucura que ganharia o mundo é real. Estamos falando de um filme inspirado numa história real, com consultoria do próprio personagem. Petit esteve presente nas filmagens e deu dicas ao ator que o interpretaria e ao diretor. Tudo soa ao mesmo tempo onírico e verossímil demais. Seu passado em preto e branco, seu aprendizado, seu crescimento… O sonho do equilibrista vai se construindo junto com as duas magníficas torres e vamos sendo levados por ele até estarmos tão entusiasmados quanto. Mas com muito mais medo.

Ao lado de sua namorada (Charlotte Le Bon), seu meste (Ben Kingsley, sempre impecável) e seus comparsas (encabeçados por Clément Sibony), Petit não aparenta sentir medo algum. É confiante, auto-confiante. Acredita que absolutamente nada irá dar errado em sua grande apresentação. Se no início sentimos uma certa arrogância por parte daquele homem nos contando aquela história, aos poucos ele vai nos cativando e vamos percebendo que não se trata de arrogância, mas de uma crença em si mesmo poucas vezes vista. No mundo real ou no cinema. Gordon-Levitt inclusive aprendeu a andar na corda bamba para interpretar o equilibrista e gravou diversas cenas andando sobre uma corda suspensa, ainda que em alturas muito menores e mais seguras.

Por conta de um impressionante 3D (principalmente na tela gigante de um IMAX), nos pegamos prendendo a respiração, tensos, com tontura e praticamente sentindo o vento na cara e a corda balançando sob nossos pés junto com Petit quando ele finalmente pende entre as duas torres. Sim, não é segredo que ele vai conseguir. Sua história já foi livro de memórias e documentário (O Equilibrista, vencedor do Oscar na categoria em 2009). Mas desta vez além da história e do personagem, são as imagens que impressionam. Com uma fotografia estarrecedora, Zemeckis constrói seu cenário digital de forma impecável e absolutamente crível. As torres se erguem para o céu quase infinitamente como personagens daquela história. O abismo por onde Philippe se equilibra é vertiginoso e tão real aos nossos olhos quanto a poltrona onde estamos sentados (e que por vezes pegamos nos agarrando para ter certeza que estamos seguros). O 3D aproxima e afasta ao mesmo tempo, criando uma sensação raríssimas vezes vista no cinema.

Os minutos finais, claro, prestam homenagem às torres, derrubadas no atentado de 2001. De forma solene, diretor e personagem prestam seus sentimentos a um dos maiores símbolos americanos extinto por um dos maiores atos de crueldade atuais. Mas nem neste momento ficamos tristes. Sentimos aquela emoção, mas ainda estamos estupefatos pela proeza. Se em tela Petit passa extenuantes 17 minutos sobre o cabo pendendo no ar, na vida real ele se equilibrou por incríveis 45 minutos entre uma torre e outra. E foi notícia no mundo todo.

Como um apresentador de seu próprio número de circo, o personagem conta para o público sua vida e suas façanhas. Não existem filmagens do ato em si, somente fotografias. E as memórias do equilibrista que serviram de base para o filme. E assim como Petit conseguiu sair dos confins da França e criar um dos atos mais impressionantes do mundo moderno, Zemeckis consegue unir emoção e efeitos digitais para criar um dos mais impressionantes filmes do cinema moderno. Não é exagero. É fato.

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