Resenha do site – Ricki and the Flash: De Volta Pra Casa

ricki-and-the-flashExistem pessoas que imaginam que basta se reunir um monte de gente boa e premiada para se fazer um filme. Tome este exemplo: um diretor três vezes indicado ao Oscar, mais quatro atores que juntos somam 12 indicações ao Oscar e seis prêmios e mais um roteirista também indicado e você terá um ótimo filme, certo? Pois com Chegadas e Partidas o diretor Lasse Hallström provou que não, que não basta juntar Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench e Cate Blanchet ao roteirista Robert Nelson Jacobs sob sua direção. O filme é um dos piores da carreira de todos os atores e do diretor. E olha que depois disso ele dirigiu as genéricas adaptações de livros de Nicholas Sparks.

Mas pra quê estamos falando disso? Pra provar a teoria: um bom elenco e uma boa equipe não fazem um bom filme. A direção é de Jonathan Demme, vencedor do Oscar por O Silêncio dos Inocentes, um dos melhores suspenses que o cinema moderno já produziu. O roteiro é de Diablo Cody, vencedora do Oscar por Juno. O elenco é encabeçado por Kevin Kline (vencedor do Oscar por Um Peixe Chamado Wanda) e por Meryl Streep (dezenove vezes indicada e com três prêmios). Então era de se esperar que Ricki and the Flesh: De Volta Pra Casa fosse um bom filme. Mas não é.

Não há uma cena durante todo o filme que não seja clichê, não há uma briga que já não tenha sido contada de melhores maneiras, não há uma relação que já não tenha sido exibida com mais eficácia. Se houvesse um prêmio para o filme mais preguiçoso do ano, poderíamos dizer que aqui está o vencedor de 2015. O talento de Kline e Streep some diante de um texto murcho e suas interpretações soam sem esforço ou mesmo constrangedoras em determinados momentos. Ninguém parece acreditar no que está dizendo e a trama mãe-arrependida-volta-pra-casa-e-conserta-tudo é mais batida que massa de bolo e aparece aqui sem nenhuma originalidade.

Quando o filme termina, você pensa que desperdiçou duas horas vendo uma história que lhe parece requentada com ares de modernidade. Nem mesmo ver Meryl Streep entoando Bad Romance de Lady Gaga salva o filme da monotonia. A falta de costura entre a primeira e a segunda parte do filme chega a chocar e quando a mãe resolve tudo com uma canção pensamos “como seria bom se o mundo fosse assim”.

Provavelmente Streep será indicada para algum prêmio por sua atuação em Ricki and the Flash, ainda que ela não tenha nada de memorável. A atriz aparece deslocada e fora de seu personagem boa parte do filme. Mas apesar de uma boa atriz, Meryl Streep é supervalorizada e dessa vez realmente não merece louros.

O que seria quase uma comédia musical com toques de drama familiar é mais um amontoado de lugares comuns: temos a mãe descolada, o pai centrado mas que também é divertido, o filho bom moço, o filho gay, a filha problemática, o namorado roqueiro bonzinho e até mesmo a vovó engraçadinha e a madrasta má. Todos coadjuvantes no que é um meio para exibir os dotes vocais de Streep entoando clássicos do rock americano (e vez ou outra Lady Gaga e Pink). Mas não se anime, Ricki and the Flash é chato de doer. E não se surpreenda se acordar somente nos momentos musicais. Afinal são só eles que valem a pena mesmo.

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