Filme brasileiro que custou $500 financiados por vaquinha vence prêmio em Cannes

Enquanto aqui no Brasil se briga pela volta do Ministério da Cultura e a discussão sobre a validade ou não da Lei Rouanet pega fogo, em Cannes um filme feito no interior do Brasil, custeado por rifas e que precisou de R$500 para ser feito leva prêmios.

O curta brasileiro “A Moça que Dançou com o Diabo”, de João Paulo Miranda, levou o prêmio especial do júri no Festival de Cannes. Acabou perdendo a Palma de Ouro, o prêmio principal, para “Timecode”, do catalão Juanjo Gimenez. A cerimônia ocorreu na noite deste domingo (22), na cidade costeira do sul da França.

a moça que dançou com o diabo

“A Moça”, sobre uma mulher que vive entre parentes religiosas, custou R$ 500 financiados por uma rifa.

O filme foi rodado em Rio Claro, cidade do interior de São Paulo. À Folha de São Paulo, o diretor contou que teve que apelar para o financiamento através de rifas com produtos de comerciantes locais por não conseguir apoio financeiro via editais.

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É o segundo ano consecutivo em que Miranda concorre em Cannes. Em 2015, seu curta “Command Action”, sobre um garoto pobre encantado com um boneco importado em uma feira popular, disputou na Semana da Crítica, sessão paralela voltada a iniciantes.

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Outro brasileiro premiado da edição foi Eryk Rocha, que levou o Olho de Ouro, prêmio dedicado aos documentários da programação oficial, por seu “Cinema Novo”, obra que remonta a trajetória do movimento cinematográfico nacional.

O longa “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, também competia, mas pela Palma de Ouro, na competição oficial e acabou perdendo o prêmio para o inglês I, Daniel Blake, de Ken Loach.

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13 pensamentos sobre “Filme brasileiro que custou $500 financiados por vaquinha vence prêmio em Cannes

  1. Pingback: Filme brasileiro que custou $500 financiados por vaquinha vence prêmio em Cannes | richasantana

  2. A pergunta que não quer calar: Como foi pago o trabalho desses profissionais? Nesse custo não podem estar os valores gastos com equipamento, transporte, alimentação e cachês dos profissionais, então é trabalho voluntário, por amor à arte.
    Quem mais trabalha de graça neste país? Os artistas, não é?
    Parabéns Paulo Miranda!, Mas até quando vamos acreditar que a falta de políticas públicas para a cultura não impossibilitam os artistas de trabalharem dignamente?

      • Carlos, o trabalho é uma ajuda social, não uma forma de sustento. Viver não é de graça e se o seu trabalho é ser cinegrafista, maquiador, produtor, roteirista, diretor, ator, vc deveria receber um salário pelas horas de trabalho na produção. Essas produções de “500 reais” não são verdadeiras pois o custo da equipe é real. Uma pessoa que trabalha nesse curta de graça está praticamente pagando para trabalhar pq ao não receber, paga sua moradia, transporte e alimentação sem remuneração pelo trabalho prestado. Se fosse qualquer outro tipo de setor, chamaríamos de trabalho escravo, mas por ser arte, o trabalho gratuito é permitido e incentivado. Isso é o mesmo de esperar que um médico, advogado, etc, só trabalhe voluntariamente — ok, fazer um trabalho voluntário aqui e ali, mas as consultas devem ser cobradas para garantir o sustento da casa.

  3. Em 2002 e 2004, juntamente com uma turma de faculdade, fizemos dois curtas, Joãozinho Deve Morrer e Sexo com Objetos Inanimados, respectivamente. A direção foi de Érico Rassi. Ambos foram feitos com dinheiro arrecadado por rifas, também. O segundo, inclusive, foi premiado 16 vezes em vários festivais no Brasil. Quem quer, faz, numa dificuldade tremenda, mas faz. E é isso que eu falo, em relação ao MinC: nunca foi voltado aos pequenos produtores e artistas ainda não conhecidos. E não só para o âmbito do vídeo, como bem sabemos, nem para a música, ou para o teatro: a não ser, é claro, que se tivesse alguém de nome reconhecido integrado à equipe. Tomara que os rumos do novo ministério apreciem melhor essas pequenas e médias produções.

  4. fico triste ao ver que trabalhos tão legaiis servem para justificar a falta de compromisso e respeito do governo em relação à classe artística. sim, artista é artista de qualquer maneira, com e sem dinheiro, por vontade própria… com e sem ajuda financeira… mas aí fica a pergunta: num filme de 500,00, quanto ganharam cada um ali pra trabalhar? trabalham voluntariamente, certamente.. então é isto que alguns querem, que o artista seja retirado de sua função profissional, e volte ao status de hobby? de “segundo emprego”? pq creem as pessoas que uma pessoa que esta’fazendo estátua na rua, nao esteja de fato trabalhando? daí, pra alcunha de “vagabundo”, será um passo amigos… por favor, nao justifiquem uma crise política e os erros de determinados setores ou atores sociais para imobilizar o investimento público num dos maiores e produtivos setores… nao caiam na falácia que “quem quer, faz”… pq se não ensinam arte e cultura nas escolas, nas ruas, nos museus, começaremos todos a frequentar os velhos cinemas, para “cantar” hinos de louvor e “celebrar” as culturas dogmáticas… sem nenhum preconceitos, apenas separando alhos de bugalhos! cada macaco, no seu galho! sou pequeno, vim de comunidade, estudei em colégio público, sou morador rural hoje em dia, trabalho com cultura periférica, e sim, nunca houve tanto investimento na cultura brasileira quanto antes! nao fiquei rico, não embolsei grana ilícita, não desviei dinheiro, apenas trabalho e vivo daquilo que me proponho, com ou sem recursos públicos! e, sim, o recurso público deve ser investido em cultura, pq a cultura é o que mantem um povo vivo, além de dar muito (voces nao podem imaginar) retorno, pessoal, emocional e financeiro, para quem vive dela!

  5. Já tem dois trabalhos que esse cara faz o trabalho e depois corre atrás… Isso é vontade de fazer as coisas… Mas alguem tem que dar uma força pra esse cara e para a equipe que vem mostrando desde command action do ano passado que tem muito talento… Tá na hora de ele ter um orçamento maior para pode mostrar se realmente irá mostra coisa bem melhor do que ja mostrou…

  6. Aqui onde moro, Vila Kennedy um amigo apaixonado por filmagens, realizou um longa com 01:20h chamado “CRACK REGISTRO URBANO”, envolvendo nada mais do que oitenta (80) pessoas todas do bairro, e nenhuma delas é ator ou atriz. Custo R$ ZERO. Todos se colocaram a disposição durante arpoximadamnete 02 (dois) anos e meio. Ficou um show.

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