Resenha do site – Inferno

poster-inferno.jpgNão fique admirado se, daqui alguns anos ou décadas, você assistir filmes contando a juventude de Robert Langdon, novos casos por outros autores ou até mesmo uma série sobre o professor de simbologia. Ele não está muito longe disso.

Dan Brown conseguiu construir um personagem tão consistente dentro da literatura de detetive quanto Sir Arthur Conan Doyle ou Agatha Christie, com Sherlock Holmes e Hercule Poirot, respectivamente. E num mar de literatura chororô pra adolescentes, um bom livro de detetive é sempre bem vindo, como um McDonalds que não é exatamente bom mas a gente adora e nem é exatamente ruim, afinal sustenta.

O protagonista dos romances de Brown é um prato cheio para inúmeras histórias: ex-mergulhador e jogador de polo aquático que sofre de claustrofobia (por conta de uma queda em um poço quando tinha 7 anos), Langdon é um alter-ego do próprio autor e descrito pelo próprio como um “Harrison Ford em terno de lã”. Claro que a associação com Indiana Jones não é casual.

É perceptível que o autor bebeu de fontes clássicas para criar seu personagem: James Bond, Indiana Jones, Holmes e Poirot são apenas alguns dos personagens que podemos citar. E desta vez, no quarto livro (e terceiro filme) protagonizado pelo professor, tanto as ameaças quanto a geografia tomam proporções mundiais.

Langdon (novamente interpretado por Tom Hanks) acorda em Florença sem saber como chegou ali. Logo descobre que um bilionário que prega que a humanidade irá acabar com o planeta pretende exterminar 50% da população mundial. Como nas histórias anteriores, o professor terá que decodificar símbolos históricos e religiosos para impedir a ameaça, desta vez em escala global. Novamente com uma bela mulher a tiracolo (desta vez interpretada por Felicity Jones, de A Teoria de Tudo), Langdon vai correr contra o tempo e pelo mundo para tentar bloquear a liberação de um vírus que ninguém sabe bem o que irá desencadear.

Trata-se de um filme de ação com um pouco de cérebro. É complicado? Muito. É tudo bastante absurdo? Extremamente. Cheio de referências? Enciclopédicas. Isso é ruim? De forma alguma. Por que um filme de 007 ou de Indiana Jones é digerível e um com um pouco mais de cérebro não pode ser? Sim, Langdon vai de Veneza para Istambul como quem atravessa a Avenida Paulista, mas isso só acontece aqui? Se o amontoado de referências históricas (que vão de Dante à condes italianos) deixa tudo um pouco mais difícil, a direção rápida de Ron Howard não deixa muito tempo pra pensar e não quebra o ritmo da ação. Uma avalanche de informações é derramada em textos e imagens e, menos didático que O Código Da VinciInferno se torna um filme de ação melhor.

Langdon e Sienna (Jones) irão de Florença para Veneza e Istambul, se encontrarão em meio a gente poderosa da polícia italiana e da Organização Mundial de Saúde sem saber em quem confiar. Claro que as pistas e referências deixam tudo mais divertido que um mero jogo de gato e rato e Hanks carrega com a usual competência o fardo do professor capaz de decifrar as pistas mais escabrosas.

Novamente cercando seu protagonista de excelentes atores (como fez em Da Vinci com Audrey Tautou, Ian McKellen, Jean Reno e Alfred Molina e em Anjos e Demônios, com Ewan McGreggor e Stellan Skarsgard), Ron Howard mantém o posto de diretor aperfeiçoando a técnica e criando um filme melhor que o primeiro, desta vez um verdadeiro filme de tirar o fôlego.

Se boa parte da crítica mundial gosta de ser rabugenta o suficiente para torcer o nariz para os livros e filmes de Dan Brown, o público parece não se importar em consumir sua literatura de fast food. Seus livros vendem como água (uma nova aventura de Langdon já foi anunciada para o ano que vem e os direitos já estão garantidos para o cinema) e seus filmes rendem milhões no mundo todo. O Código Da Vinci custou U$125 milhões e rendeu U$750; Anjos e Demônios custou U$130 e rendeu quase U$500. E Inferno certamente seguirá pelo mesmo caminho. Principalmente tendo feito o público esperar sete anos do último filme e guardando as surpresas que guarda com relação ao livro. Como já disse o próprio Dan Brown: podem falar mal das minhas obras, minha conta bancária parece não se importar.

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