Precisamos falar sobre Joanne

Quando um artista referencia outros de forma competente, você consegue perceber estas referências mas não a ponto de achar que aquelas músicas são “sobras” dos artistas originais.

Referenciar é normal. Dos mais conhecidos aos menos, todos fazem isso. Alguns têm a felicidade de estar nas duas pontas, mas nem todos conseguem. Outros referenciam tanto que, sim, suas músicas parecem sobras dos discos dos artistas originais.

lady-gaga

Que Lady Gaga é a rainha das referências todo mundo sabe. Desde que surgiu suas músicas podem ser tudo menos originais. Boas? Algumas são. Relevantes pra música pop? Outras também são. Originais? Não. E isso não é um defeito quando é feito de maneira eficiente.

É justamente assim que é Joanne. Uma sopa de referências. Uma música lembra Stevie Nicks (Joanne), outra lembra Dolly Parton (Diamond Heart). Uma parece uma mistura de Meghan Trainor com Dolly Parton (A-Yo), outra é mais que um sampler de Elton John (ouça 10 segundos de Hey Girl e depois 10 segundos de Bennie and the Jets de Elton John). De Cher antes de ser rainha da música eletrônica (John Wayne) e No Doubt (Danicn’ in Circles) a Cyndi Lauper (Million Reasons) e o sempre referenciado David Bowie, Joanne consegue ser tudo menos original.

Lady Gaga surgiu em um momento em que uma diva pop extravagante estava em falta. Madonna já tinha deixado a extravagância de lado, Cyndi Lauper nunca decolou de verdade. Uma nova geração precisava de uma nova diva pop. Depois das Spice Girls estavam órfãos. Quando Gaga surgiu, fazendo par com Beyonce, Shakira e Rihanna, abriu a porta para toda uma nova leva de cantoras pop, do mais para o menos extravagante, e do mais para o menos talentoso.

Hoje, novas divas pop não faltam e surgem a todo dia. Mais ou menos relevantes, como Hillary Duff, Demi Lovato, Selena Gomez, Ariana Grande, Carly Rae Japsen e tantas outras. e Gaga  precisa se reinventar para manter seu público. Certamente seus little monsters estranharam este disco novo. E muito provavelmente nunca ouviram falar em Stevie Nicks, Dolly Parton, Elton John e Cyndi Lauper e acham que a primeira música da carreira de Cher foi Believe. Devem achar que Lady Gaga inventou o country ontem.

Gaga tem voz? Inegavelmente sim. Nunca se discutiu isso. Tem talento para compor? Muito. Suas letras não raro são bastante contundentes (com algumas exceções, é claro). Mas seu repertório peca pela falta de conteúdo original. Depois de ouvir Joanne, a sensação é de que passamos um tempo ouvindo faixas descartadas de artistas do passado, ou uma coletânea tipo Emmerson Nogueira ou de alguma banda de casamento. O que fica não é um ou outro destaque do disco, mas um ranço de comida requentada. E por isso mesmo a participação de Florence Welsh parece ser o ponto mais alto de todo o disco.

 

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