#novamusica – Anavantou

Quando quatro músicos sergipanos e cinco belgas se unem para aproximar suas regiões através da música, o resultado é “Brincantes”: um álbum efervescente e indiscutivelmente plural, rítmico e energizado.

Composto por 13 faixas e gravado em agosto de 2015, o disco de Anavantou celebra a beleza do encontro mostra o potencial artístico da aproximação de culturas diferentes – sendo que, no caso do nordeste brasileiro e Europa, já há um processo histórico de influências a partir das quadrilhas, do uso de acordeom, vestes e termos, desde o período da colonização.

Em 2013, aconteceu o primeiro encontro de todos os músicos na Bélgica, o que seria o inicio de “Brincantes”, que teve sua concepção estética desenvolvida ao longo das vivências do grupo em viagens e turnês. Dois anos mais tarde, os artistas criaram as composições e arranjos do disco em 2 encontros: um em Aracaju (SE) e outro em um pequeno teatro no interior da Bélgica. Todas as faixas do álbum foram produzidas a partir disso, de forma coletiva e sem métodos específicos, apenas vivendo a música na sua forma mais simples e unificada.

“Brincantes” foi gravado em Antwerpen (BE), no Porino Studio, do produtor musical Roel Poriau, em mais um processo de imersão, onde todo o grupo ficou hospedado no estúdio, durante 15 dias.

“A produção musical é assinada pelo Anavantou, com co-produção dos belgas David Bovée e Damien Chemin. Após as gravações, viemos ao Brasil fazer acréscimos de mais percussões, coros e as participações especiais”, conta Dudu prudente, baterista e percussionista da banda.

As faixas, carregadas de referências sonoras, passam por uma diversidade de ritmos, cantos, melodias e timbres característicos do nordeste do Brasil e da Europa. Todas elas foram gravadas praticamente ao vivo no estúdio, com poucos overdubs e nove músicos interagindo e criando em tempo real, com línguas diferentes.

A introdução é uma referência ao costume de “passar o chapéu”, prática usada pelo mundo inteiro e uma maneira de remunerar a arte de forma espontânea. É ela que abre alas para toda a tropicalidade do disco. Seguindo, “Chapéu do Maori” é inspirada num bar de Aracaju que abrigava artistas e públicos da cena da cidade, entre 2014 e 2015. Foi apresentado aos belgas que adoraram. A história é acompanhada por uma melodia do acordeom diatônico de Julien de Borman que remete ao folclore irlandês e vai se somando a batidas de São Gonçalo e côco.

O álbum cheio de detalhes e crônicas e vai com “Caranguejo, Bixo”, um maracatu acelerado que fala do consumismo enquanto fator da felicidade e realização na vida.

“Gens Qui Dorment” é uma composição de David Bovée – líder da banda belga Think of One e atual guitarrista da cantora Céu – sobre a “febre dos djembes”, canção adaptada de um funk para baião que no final passa por um ponto de Candomblé para Xangô.

A faixa “Brincantes da Mussuca” é composição do carioca Jeferson Gonçalves que inspira o título do álbum e foi composta inspirada nos folguedos do Povoado Mussuca, em Laranjeiras (SE). A música ainda conta com a participação da mestre de cultura popular do Samba de Pareia e nativa do local, Dona Nadir.

Em “Chego Já”, a banda se inspirou em um refrão original do Grupo dos Bacamarteiros de Aguada, do povoado de Aguada (SE). O reggae/xote de “Mergulho Bom” nasceu da brincadeira de que o reggae seria o único ritmo tradicional dos belgas.

“Kaasket Ska” é tema da Turdus Philomelos – banda dos integrantes belgas do Anavantou – em uma versão modificada para a marujada, ritmo tradicional do interior do nordeste. Em “C’est ÇaQu’est Bien” fala-se sobre a diferença de línguas presente nos encontros entre os músicos.

A canção seguinte, “Pirulito”, é uma homenagem à João do Vale, exponente da música popular brasileira. O respiro da euforia desenfreada do álbum chega em “Tá Indo De Pé”, baião em ¾.

Se preparando para o final do disco “Maracatu Êta” é uma regravação da faixa clássica de Trio Nordestino“Vitos Beat” que encerra com uma gravação original de um tema de novena da banda de pífano Os Vitos, de Poço Redondo (SE).

Disponível em todas as plataformas digitais, “Brincantes”, de Anavantou, será lançado para o público europeu através do selo belga Cypres.

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