5 discos importantes que completam 20 anos em 2018

Em um ano de Copa do Mundo, importantes transformações tecnológicas, lançamento de jogos icônicos, como The Legend of Zelda: Ocarina of Time, e perdas irreparáveis para o mundo da música — caso de Tim Maia, Frank Sinatra e Linda McCartney —, o cenário cultural vivia um período fértil. Enquanto o cinema via o surgimento de obras como O Grande Lebowski, Corra, Lola, Corra e O Show de Truman: O Show da Vida, no cenário musical, registros nacionais e estrangeiros pareciam brincar com a colagem de diferentes ritmos e possibilidades dentro de estúdio. Do pop conceitual de Madonna em Ray of Light ao alternativismo pop de Pato Fu, o site Miojo Indie listou 10 trabalhos de destaque lançados em 1998.

Air
Moon Safari (Virgin / Caroline / Parlophone / Astralwerks)

No final da década de 1990, a música eletrônica vivia um de seus períodos mais férteis. Da Big Beat de Fatboy Slim e The Chemical Brothers, aos temas dançantes da french house produzida pela dupla Daft Punk, sobram trabalhos capazes de arrastar o ouvinte para as pistas. Curioso perceber em Moon Safari, álbum de estreia dos franceses do Air, uma fuga declarada desse mesmo universo criativo. Claramente inspirado pela música minimalista dos anos 1960/1970, o jazz, o space pop e a bossa nova, o trabalho produzido por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel não apenas serviu para consolidar a cena chillout/downtempo, como parecia transportar o ouvinte para um mundo de sonhos e ilusões românticas. Melodias eletrônicas e diálogos com o passado que se revelam de forma nostálgica em composições como Kelly Watch the Stars, La femme d’argent, Sexy Boy, All I Need e Remember, essa última, canção que utiliza de samples de Do It Again, música originalmente composta pelo The Beach Boys. Um indicativo do som mágico que viria ser produzido pelo Air no restante da carreira.

 

Belle and Sebastian
The Boy with the Arab Strap (1998, Jeepster)

Pouco interessado em repetir a fórmula testada nos dois primeiros álbuns de estúdio, Tigermilk e If You’re Feeling Sinister, ambos de 1996, Stuart Murdoch e demais parceiros do Belle and Sebastian passaram meses isolados dentro de estúdio, provando de novas melodias, arranjos, versos e temas acústicos. Desse esforço coletivo e contínua interferência de Isobel Campbell e Stuart David, hoje ex-integrantes da banda, veio a rica contribuição para o nascimento de The Boy with the Arab Strap. Terceiro registro de inéditas da banda escocesa, o trabalho inaugurado pela agridoce It Could Have Been a Brilliant Careerdelicadamente amplia a ironia cômica testada desde os primeiros discos de inéditas, fazendo da inserção de orquestrações mágicas o estímulo para uma obra marcada pelo completo amadurecimento poético/instrumental do coletivo. No repertório do disco, preciosidades como Sleep the Clock Around, Seymour Stein, The Rollercoaster Ride, Is It Wicked Not to Care? e a faixa-título do disco, uma das grandes criações da banda na década de 1990.

 

Madonna
Ray of Light (1998, Maverick / Warner Bros.)

A grande beleza no trabalho de Madonna sempre esteve na capacidade de adaptação da cantora. Do colorido neon de Like a Virgin (1984) ao tom sóbrio e flerte com o R&B em Bedtime Stories (1994), durante grande parte dos anos 1980 e 1990, a cantora sempre pareceu interessada em corromper a própria sonoridade, brincando com as possibilidades a cada novo álbum. Com Ray of Lightnão poderia ser diferente. Sétimo trabalho de inéditas da artista, o disco lançado em março de 1998 talvez seja o registro que melhor sintetiza a permanente mutação que define a vida da cantora – dentro ou mesmo fora do estúdio. Enquanto Madonna celebrava a chegada da primeira filha, Lourdes, e a conversão à Cabala, a estreita relação com o produtor William Orbit, responsável por grande parte das faixas do disco, parece estimular todo esse universo de novos temas e inspirações, gerando uma verdadeira explosão criativa que se reflete em cada uma das 13 canções do álbum. Ao mesmo tempo em que os arranjos e entalhes eletrônicos esbarram na mesma sonoridade de artistas como Björk e Portishead, em se tratando dos versos, Madonna amplia ainda mais o próprio catálogo de referências. Mesmo que faixas como Little Star – escrita para a filha – sejam capazes de dialogar com o cotidiano da cantora, grande parte deRay of Light explora um conjunto de elementos e conceitos existencialistas, íntimos de qualquer ouvinte. Canções que que mergulham na temática do amor (Drowned World/Substitute for Love), fé (Shanti/Ashtangi) e conflitos sociais (Swim), porém, sem necessariamente distanciar a cantora das pistas de dança.

 

Ms. Lauryn Hill
The Miseducation of Lauryn Hill (1998, Ruffhouse / Columbia)

Seja como integrante do The Fugees ou como colaboradora nos trabalhos de Mary J. Blige, D’Angelo, Missy Elliott e Erykah Badu, Lauryn Hill passou grande parte da década se aventurando em diferentes núcleos do Hip-Hop/R&B. Todavia, foi com o lançamento do primeiro álbum em carreira solo, The Miseducation of Lauryn Hill, que a cantora, compositora, rapper e produtora foi oficialmente apresentada ao grande público. Produto da série de referências acumuladas pela artista desde o início da carreira, o extenso registro faz de cada composição um objeto precioso e essencial para a música da época. Mesmo que Doo Wop (That Thing) seja a canção mais lembrada (e tocada) do trabalho, sobram criações icônicas como Everything Is Everything, When It Hurts So Bad e Lost Ones. Surgem ainda colaborações bem-sucedidas, caso de Nothing Even Matters, encontro com o parceiro de longa data, D’Angelo, To Zion, com Carlos Santana, além da parceria com Mary J. Blige em I Used to Love Him. Mesmo a versão para Can’t Take My Eyes Off You se transforma na voz da norte-americana. Um trabalho marcado pelo completo esmero de artista e seus parceiros de produção, Che Guevara e Vada Nobles, cuidado que se reflete ainda hoje, duas décadas de lançamento do álbum, único registro autoral da carreira de Hill.

 

Pato Fu
Televisão de Cachorro (1998, BMG)

Longe do som esquizofrênico testado nos três primeiros trabalhos de estúdio — Rotomusic de Liquidificapum (1993), Gol de Quem? (1995) e Tem Mas Acabou (1996) —, Televisão de Cachorro marca o início de uma nova fase na carreira do Pato Fu. Trata-se de uma obra essencialmente acessível, pop e encorpada pela inserção de melodias pegajosas, por vezes íntima do power pop dos anos 1970, vide a enérgica Um Dia, Um Ladrão. Entre flertes com o trip-hop, como em Antes que Seja Tarde e a inaugural A Necrofilia da Arte, o destaque acaba ficando por conta da poesia sensível de Canção pra Você Viver Mais, música escrita em homenagem ao pai da vocalista Fernanda Takai, morto em decorrência de um câncer aos 52 anos de idade. Surgem ainda pequenas homenagens, como em Nunca Diga, versão para a música composta pelos amigos Graforréia Xilarmônica no álbum Coisa de Louco II (1995), além, claro, de Eu Sei, faixa originalmente gravada pela Legião Urbana no álbum Que País É Este (1987) e uma homenagem ao cantor Renato Russo, confesso adorador da banda mineira que havia morrido dois anos antes em decorrência da Aids.

VIA

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